sábado, 22 de setembro de 2012

Somos cegos, surdos e mudos, mas foram eles que nos deixaram assim


   Estamos em pleno 2012, em um mundo globalizado onde se fala de acessibilidade e tecnologia. Era na qual a Apple é líder de mercado por ter como maior diferencial, a facilidade para manipular seus aparelhos, mostrando que todos estão cansados de complicações. Antigamente, quanto mais complicado, mais inteligente, pois de certa forma fazia de seus criadores e usuários, gênios. É uma grande pena que este novo conceito não tem se estendido a um assunto importante, a língua na qual todo cidadão deveria ser fluente, o conceito no qual todo cidadão deveria ter seu esclarecimento, a política. É uma grande pena que o brasileiro não entenda a política e neste post vou expor importantes informações a respeito do porquê vivemos esta realidade.

               Faz pouco tempo que comecei a me interessar de fato pelo assunto neste ano. Sou da opinião que política não é um dos assuntos mais legais, mas é necessário compreender sua importância. O fato de eu nunca ter me interessado anteriormente, deve-se ao fato de eu ter sido um cidadão despreocupado? Também.

Gostamos de informações fáceis de compreender, algo que consiga prender nossa atenção tornando o momento do estudo prazeroso. O grande problema é que os ensinamentos de política são passados como se não fossem tão importantes, não sendo um problema dos professores de filosofia/história e sim dos líderes do poder público que ditam o que é pertinente ou não o aluno aprender. Você já teve alguma aula na qual o professor ensinou o que faz o presidente, governador, prefeito, vereador, etc? Se sim, que bom, teve uma educação ao menos justa neste ponto, mas a maior parte dos brasileiros não teve esta oportunidade.

Semanas atrás estava pesquisando candidatos a prefeito e até tive sucesso na empreitada. Encontrei vídeos de debates no You Tube, a Gazeta do Povo contribuiu significativamente com as sabatinadas e com base nestas e em outras informações pude decidir meu voto. O grande problema que encontrei foi quando comecei a pesquisar sobre vereadores.

Para prefeito tudo bem, são só 8 e boa! Pude pesquisá-los um a um, no começo com certa dificuldade, mas aos poucos encontrei informações que posso chamar de centralizadas, como as sabatinadas já citadas. Quando verifiquei que o número de vereadores era 755, pensei “Bom, com tantos candidatos, deve ter algum portal com informações breves das propostas, fazendo com que o cidadão se sinta mais a vontade e possa escolher seu candidato.” Encontrei esse treco:

http://oestadodoparana.pron.com.br/politica/noticias/67753/?noticia=vereadores-com-suas-propostas-para-a-juventude

Digo treco porque isso pra mim não serve de nada, a não ser pra ver qual candidata é mais gatinha ou algo idiota do tipo, porque sinceramente, olhem esta proposta:


 Não faço questão de riscar o nome do candidato porque este tem mesmo é que ter vergonha de como está se apresentando à população. Se a droga do jornal limitou em caracteres o campo, que, por favor, explique em miúdos (bem miúdos) algo sobre a proposta, algo que incite uma pesquisa mais afim. Lembrando que provavelmente estes pagaram pra estar aí já que não constam nem um terço dos candidatos.

Confesso que pensei assim porque na academia, através dos conhecimentos de marketing, estudamos que a informação importante necessita estar atrelada a acessibilidade, o que definitivamente não acontece na política. Não é a toa que pouca gente se interessa, afinal de contas, como tomar gosto por algo completamente desestruturado no quesito “acesso a informação”? O brasileiro mal gosta de ler, quem dirá ficar caçando informação sobre candidato.

Não sei até que ponto isso poderia ser feito, mas já que a gazeta tem toda uma estrutura sobre as eleições em seu portal, no mínimo deveriam constar as propostas de cada um, com um arquivo a ser disponibilizado para download ou algo do tipo. Pensei em um portal com informações genéricas de cada candidato, sendo prefeito ou vereador e um link para a proposta do cidadão, mas não, ao invés disso tem a informação da PORRA DO TIME DE FUTEBOL DO CARA...


Pode parecer exagero, mas é o tipo de informação que dá pano pra manga. A informação do time de futebol é importante? Lembram do último candidato que tinha como identidade o time de futebol? O tal Julião Caveira? Deixe-me refrescar vossa memória:




É, deu para ter uma ideia da merda que é votar em um cara por amor a camisa, né? Tem que ter amor a bandeira da sua nação, pois é ela que te fará dormir bem e acordar mais tranquilo para trabalhar, que lutará por seus direitos deixando em foco o combustível do ser humano, a qualidade de vida.

            Fico pensando que se tiver mesmo tudo isso que comentei, talvez fique fácil de identificar que são os canastrões da política. Os caras com grana e rabo preso têm medo de expor suas carreiras, seus históricos na rede. Como não temos “na mão” dados como: projetos prometidos x concluídos de candidatos a reeleição, histórico de negligências e gastos com o dinheiro público em besteiras destes, gargalos da sociedade que necessitam atenção e ademais informações baseadas em dados de instituições não partidárias, temos que provar que somos espertos e lidar com o que temos.

Os tempos estão mudando, nossa democracia já não é mais um bebê e agora a educação está bem acessível à maior parte da população, com faculdades de todos os preços possíveis, ensino a distância e etc. O senso crítico só é desenvolvido através de muito empenho e estudo, portanto faça sua parte como cidadão e seus filhos certamente agradecerão. O mundo não está perdido e quem diz que está é porque nunca tentou entender como funciona o sistema e é conformado com as decisões governamentais. Não temos nem trinta anos de democracia (considerando o conceito de democracia após o final da ditadura – 1985), portanto não é motivo para largar os bets, afinal de contas só tivemos gestão de três presidentes e ao que indica, estamos alargando nossos passos. Somos cegos, surdos e mudos, mas foram eles que nos deixaram assim e não vamos aceitar esta condição!

Vamos provar que não temos memória curta, que não nos esquecemos dos erros políticos e que buscamos renovação. Escolhemos muitos caminhos em nossa vida, mas já nascemos cidadãos e cabe a nós decidirmos o destino da nossa verba, o dinheiro é nosso e quem são os ditadores somos nós!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Dia 1 - Independência In The Jungle

               Assim que chegamos, levamos um quase-choque ao sermos informados do preço até domingo... 46 mangos (sim, somos pobres). Como todo mundo estava mais duro que pau de tarado com as moedas contadas, quase negociamos nosso rabo solicitamos gentilmente um desconto e conseguimos por 40 mangos de sexta até domingo. O Alemão deixou bem claro que não queria que ninguém acampasse próximo a cachoeira, por motivo de que outras pessoas incompetentes e porcas andaram cagando perto das áreas de banho (pode isso, Arnaldo?) desrespeitaram o local, defecando no mato, mesmo com o lugar oferecendo banheiros com privadas limpas, papel higiênico e chuveiro quente. Tem gente que definitivamente tem merda na cabeça, né?

             A montagem das barracas foi tranquila... para alguns. Assim que tinha terminado de tirar umas fotos, avistei a Nat e a Lê olhando para a barraca no chão, com um olhar confuso, como se estivessem analisando um óvni, sem nem saber por onde começariam. Importante citar que essas minhas amigas entendem tanto de sobrevivência no mato quanto eu entendo de motor de fusca.

                A barraca da Nat ficou quase 100%, tirando o fato de não ter lona protetora, indicando que alguém cagaria de frio sentiria com mais gosto os ventos do campo durante a noite.

     Outro com dificuldades ao montar a barraca era nosso amigo Kauan, o Kuririn. Ao tirar a barraca da bolsa de proteção, identificou uma vareta quebrada, o que danificaria sua estrutura, a ponto de ficar inviável utilizá-la. Porém, o Kuririn é brasileiro e não sei como diabos, deu um jeito nisso, deu a volta por cima e ninguém notou que a barraca estava quebrada, foi com silvertape e pedaços de pau ou algo do gênero. Peripécia da qual só ficaria sabendo ao longo desta semana.

     Um terceiro grupo estava montando uma barraca com um formato jamais visto por mim e os demais. Não era um modelo iglu igual a todas as outras, era em modelo retângulo, o que complicou a equipe de montagem: Rafa, Alexandre (Ar) e Allan (Shiryu). Como já tinha gente de mais ajudando, apenas observei enquanto montava a minha. Não pude deixar de notar as cores da barraca do nosso amigo Huppes. Todos os pedaços da barraca tinham cores diferentes, deixando a barraca com um aspecto meio... circo. O Huppes é definitivamente um cara estranho estiloso, surpreendendo em todos os aspectos: bigode, fusca e agora... barraca circo. Já diriam as frases memoráveis do falecido Orkut: EsTiLo Ou VoCê TêM oU nÃo rSrSrs. Como o Shiryu estava desabrigado, ofereci minha barraca, que tinha espaço de sobra. Coloquei meu isolante térmico no chão da barraca e logo em seguida o saco de dormir. Questionei meu colega de quarto, que se vangloriava da exuberante variação de dois tipos de repelente, onde ele dormiria e a resposta veio singular:

- Só trouxe o isolante térmico.

Afinal de contas um amigo com um apelido do cara mais valente do Zodíaco não deveria ser subestimado, ainda mais quando se teve um treinamento árduo no exército. Phillipe, Rafa, Michel Teló e a mina dele não apresentaram dificuldades ao montar suas barracas, deixando evidente a habilidade de sobrevivência na selva, tornando-os nossos campistas seniores.

             Com o acampamento em pé, rumamos à cachoeira, com propósitos de diversão e proveito do belo sol que abraçava o vale. Entrar na água foi um desafio para os valentes, o gelo congelava até a sua alma. Titubeei no começo, mas me rendi aos encantos do local e abracei a causa. Já estava com água um pouco acima da cintura quando aquele bando de chupetas meus amigos começaram a me jogar água de todas as direções possíveis e enfim mergulhei, congelando até o cu curtindo a cachoeira numa boa. Inclusive uma moça bem totosa estava se divertindo horrores pulando de “bombinha” na água. O fato não seria tão estranho se ela não tivesse de calça-jeans.

Vale lembrar que o guerreiro das águas, Shiryu, o campista hardcore, foi amplamente solicitado para invocar os poderes da cólera do dragão, mas deixou a galera na curiosidade. Shiryu, não deixe seus fãs na mão da próxima vez, ok?

Atenção você que é adolescente! Cuidado com os apelidos que dar ou receber, pois estes codinomes podem te acompanhar até o final da vida, proporcionando potencial carga de bullying por conta dos seus amigos com vinte anos ou mais.

                         

                Saí da cachoeira mais cedo que o pessoal porque precisava descansar, tinha ido dormir as 3:30 da madruga e acordado as 6:30, então minha estamina estava um tanto quanto reduzida e precisava recuperar umas horas de sono. O sol forte impediu que eu dormisse na barraca, então joguei o saco de dormir na grama, assim como fez a Nat com seu colchão de ar, e ali tirei uma pestana.

                 Fui acordado pelos brothers me convidando para ir até a ponte do trilho de trem. Convidei a Nat, mas ela sentiu que o nível da caminhada de nem 1km seria muito hard para uma iniciante e optou por ficar lagarteando em seu colchão de ar. A Nat é um ser com uma doença grave, a doença do século XXI que infelizmente é muito difícil de ser curada e que impossibilita atividades físicas, tais como andar mais que 50m e subir escadas. Para distâncias superiores a 50m, é necessária a utilização de uma cadeira de rodas ou um carro. Infelizmente, a Nat é uma refém do sedentarismo.

                         

   A caminhada até o local foi tranquila e já de cara identificamos que o trem passava em intervalo menor que os dos biarticulados em horário de pico. O grande objetivo era ficar nos abrigos da ponte enquanto o trem passava, mas eu não fui porque sou bundão porque tenho problemas com altura na minha última visita ao local já tinha me cagado o suficiente excedido por demais meus limites de coragem. Assim que o trem passou fui até o pessoal, que estavam maravilhados com a experiência de ver um trem passando a poucos centímetros do rosto, em um espaço minúsculo de concreto, na altura de pelo menos 60 metros de altura em uma ponte precária. Vale lembrar que lá em baixo não tem rio, só pedra! Se cair lá de cima, dá tempo de gritar o alfabeto inteiro duas vezes antes de virar patê.


Ainda na ponte, o pessoal começou a tirar um som, deixando o clima extremamente agradável. Sentados no trilho de trem, ar fresco em nossos rostos, pôr do sol em um lugar fantástico... não posso reclamar desta parte. Mesmo com minha quase acrofobia, senti-me confortável para apreciar o visual.

Batemos em retirada assim que o sol se pôs, pois logo em seguida obviamente escureceria e ninguém havia trazido lanterna, além do que precisávamos cuidar dos preparos para a grande noite. Da última vez que eu tinha ido ao local, era necessário comprar a lenha para a fogueira, vinha em pacotes e tinha o custo aproximadamente de R$ 8,00, mas desta vez o Alemão indicou um lugar próximo a entrada da propriedade onde encontraríamos o insumo (e como voltaríamos neste lugar nas próximas horas).

Quando a noite tomou conta do lugar, a fogueira já estava acesa (e bem acesa!) e o céu estrelado traçava o melhor plano de fundo possível. Esta é uma das partes mais legais de se acampar. Fogueira, amigos, música, piadas, risadas, histórias, comes e bebes... tudo numa perfeita harmonia. Nossos músicos fizeram a noite: Ar no baixolão, Rafa no violão/meia lua/voz, Kauan no bongô, Nat cantando também e Philippe revezando a meia lua também. Assim que o fogo começava a enfraquecer, todos se mobilizavam para ir até o local antes indicado para trazer mais madeira e assim a noite seguiu.

Aos poucos o pessoal começou a se recolher nas barracas e ficaram apenas eu, Phillipe, Ar e Kauan. Eu não bebo, mas meus amigos fizeram o favor de beber por mim e pela torcida do flamengo, representaram forte, deixando a sobriedade se esvair junto com as cinzas da fogueira. Não demorou para que começássemos aquele papo tradicional masculino, com várias risadas e pérolas, tais como ficar fazendo “sinal de pica avulsa” para os outros acampamento com esperança miserável, mas o que importava mesmo é que a cena era extremamente cômica.

Para finalizar a noite, um cara com a camiseta do justiceiro saiu de outro acampamento, próximo ao nosso e veio cambaleando até a nossa roda, com uma garrafa long neck de skol, indicando o certificado de doidão. Convidei o vizinho a se juntar a nós e não demorou muito para se mostrar um piadista nato. O detalhe é que ele não fazia piadas, ele era a própria! O justiceiro teve o azar de chegar na roda bem naquele momento papo cabeça, pois o tema em questão era logística no Brasil e o nó rodoviário. O cara não conseguia falar nada, todas as suas frases eram incompletas. Ele começava:

- É! Tipo!...

Ficávamos na expectativa de que ele fosse terminar a frase, mas ele sempre emperrava. Como o estado do pessoal não estava tão distante do justiceiro doidão, resolvemos abortar a missão e dormir.

Em breve o relato do dia 2...