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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Dia 1 - Independência In The Jungle

               Assim que chegamos, levamos um quase-choque ao sermos informados do preço até domingo... 46 mangos (sim, somos pobres). Como todo mundo estava mais duro que pau de tarado com as moedas contadas, quase negociamos nosso rabo solicitamos gentilmente um desconto e conseguimos por 40 mangos de sexta até domingo. O Alemão deixou bem claro que não queria que ninguém acampasse próximo a cachoeira, por motivo de que outras pessoas incompetentes e porcas andaram cagando perto das áreas de banho (pode isso, Arnaldo?) desrespeitaram o local, defecando no mato, mesmo com o lugar oferecendo banheiros com privadas limpas, papel higiênico e chuveiro quente. Tem gente que definitivamente tem merda na cabeça, né?

             A montagem das barracas foi tranquila... para alguns. Assim que tinha terminado de tirar umas fotos, avistei a Nat e a Lê olhando para a barraca no chão, com um olhar confuso, como se estivessem analisando um óvni, sem nem saber por onde começariam. Importante citar que essas minhas amigas entendem tanto de sobrevivência no mato quanto eu entendo de motor de fusca.

                A barraca da Nat ficou quase 100%, tirando o fato de não ter lona protetora, indicando que alguém cagaria de frio sentiria com mais gosto os ventos do campo durante a noite.

     Outro com dificuldades ao montar a barraca era nosso amigo Kauan, o Kuririn. Ao tirar a barraca da bolsa de proteção, identificou uma vareta quebrada, o que danificaria sua estrutura, a ponto de ficar inviável utilizá-la. Porém, o Kuririn é brasileiro e não sei como diabos, deu um jeito nisso, deu a volta por cima e ninguém notou que a barraca estava quebrada, foi com silvertape e pedaços de pau ou algo do gênero. Peripécia da qual só ficaria sabendo ao longo desta semana.

     Um terceiro grupo estava montando uma barraca com um formato jamais visto por mim e os demais. Não era um modelo iglu igual a todas as outras, era em modelo retângulo, o que complicou a equipe de montagem: Rafa, Alexandre (Ar) e Allan (Shiryu). Como já tinha gente de mais ajudando, apenas observei enquanto montava a minha. Não pude deixar de notar as cores da barraca do nosso amigo Huppes. Todos os pedaços da barraca tinham cores diferentes, deixando a barraca com um aspecto meio... circo. O Huppes é definitivamente um cara estranho estiloso, surpreendendo em todos os aspectos: bigode, fusca e agora... barraca circo. Já diriam as frases memoráveis do falecido Orkut: EsTiLo Ou VoCê TêM oU nÃo rSrSrs. Como o Shiryu estava desabrigado, ofereci minha barraca, que tinha espaço de sobra. Coloquei meu isolante térmico no chão da barraca e logo em seguida o saco de dormir. Questionei meu colega de quarto, que se vangloriava da exuberante variação de dois tipos de repelente, onde ele dormiria e a resposta veio singular:

- Só trouxe o isolante térmico.

Afinal de contas um amigo com um apelido do cara mais valente do Zodíaco não deveria ser subestimado, ainda mais quando se teve um treinamento árduo no exército. Phillipe, Rafa, Michel Teló e a mina dele não apresentaram dificuldades ao montar suas barracas, deixando evidente a habilidade de sobrevivência na selva, tornando-os nossos campistas seniores.

             Com o acampamento em pé, rumamos à cachoeira, com propósitos de diversão e proveito do belo sol que abraçava o vale. Entrar na água foi um desafio para os valentes, o gelo congelava até a sua alma. Titubeei no começo, mas me rendi aos encantos do local e abracei a causa. Já estava com água um pouco acima da cintura quando aquele bando de chupetas meus amigos começaram a me jogar água de todas as direções possíveis e enfim mergulhei, congelando até o cu curtindo a cachoeira numa boa. Inclusive uma moça bem totosa estava se divertindo horrores pulando de “bombinha” na água. O fato não seria tão estranho se ela não tivesse de calça-jeans.

Vale lembrar que o guerreiro das águas, Shiryu, o campista hardcore, foi amplamente solicitado para invocar os poderes da cólera do dragão, mas deixou a galera na curiosidade. Shiryu, não deixe seus fãs na mão da próxima vez, ok?

Atenção você que é adolescente! Cuidado com os apelidos que dar ou receber, pois estes codinomes podem te acompanhar até o final da vida, proporcionando potencial carga de bullying por conta dos seus amigos com vinte anos ou mais.

                         

                Saí da cachoeira mais cedo que o pessoal porque precisava descansar, tinha ido dormir as 3:30 da madruga e acordado as 6:30, então minha estamina estava um tanto quanto reduzida e precisava recuperar umas horas de sono. O sol forte impediu que eu dormisse na barraca, então joguei o saco de dormir na grama, assim como fez a Nat com seu colchão de ar, e ali tirei uma pestana.

                 Fui acordado pelos brothers me convidando para ir até a ponte do trilho de trem. Convidei a Nat, mas ela sentiu que o nível da caminhada de nem 1km seria muito hard para uma iniciante e optou por ficar lagarteando em seu colchão de ar. A Nat é um ser com uma doença grave, a doença do século XXI que infelizmente é muito difícil de ser curada e que impossibilita atividades físicas, tais como andar mais que 50m e subir escadas. Para distâncias superiores a 50m, é necessária a utilização de uma cadeira de rodas ou um carro. Infelizmente, a Nat é uma refém do sedentarismo.

                         

   A caminhada até o local foi tranquila e já de cara identificamos que o trem passava em intervalo menor que os dos biarticulados em horário de pico. O grande objetivo era ficar nos abrigos da ponte enquanto o trem passava, mas eu não fui porque sou bundão porque tenho problemas com altura na minha última visita ao local já tinha me cagado o suficiente excedido por demais meus limites de coragem. Assim que o trem passou fui até o pessoal, que estavam maravilhados com a experiência de ver um trem passando a poucos centímetros do rosto, em um espaço minúsculo de concreto, na altura de pelo menos 60 metros de altura em uma ponte precária. Vale lembrar que lá em baixo não tem rio, só pedra! Se cair lá de cima, dá tempo de gritar o alfabeto inteiro duas vezes antes de virar patê.


Ainda na ponte, o pessoal começou a tirar um som, deixando o clima extremamente agradável. Sentados no trilho de trem, ar fresco em nossos rostos, pôr do sol em um lugar fantástico... não posso reclamar desta parte. Mesmo com minha quase acrofobia, senti-me confortável para apreciar o visual.

Batemos em retirada assim que o sol se pôs, pois logo em seguida obviamente escureceria e ninguém havia trazido lanterna, além do que precisávamos cuidar dos preparos para a grande noite. Da última vez que eu tinha ido ao local, era necessário comprar a lenha para a fogueira, vinha em pacotes e tinha o custo aproximadamente de R$ 8,00, mas desta vez o Alemão indicou um lugar próximo a entrada da propriedade onde encontraríamos o insumo (e como voltaríamos neste lugar nas próximas horas).

Quando a noite tomou conta do lugar, a fogueira já estava acesa (e bem acesa!) e o céu estrelado traçava o melhor plano de fundo possível. Esta é uma das partes mais legais de se acampar. Fogueira, amigos, música, piadas, risadas, histórias, comes e bebes... tudo numa perfeita harmonia. Nossos músicos fizeram a noite: Ar no baixolão, Rafa no violão/meia lua/voz, Kauan no bongô, Nat cantando também e Philippe revezando a meia lua também. Assim que o fogo começava a enfraquecer, todos se mobilizavam para ir até o local antes indicado para trazer mais madeira e assim a noite seguiu.

Aos poucos o pessoal começou a se recolher nas barracas e ficaram apenas eu, Phillipe, Ar e Kauan. Eu não bebo, mas meus amigos fizeram o favor de beber por mim e pela torcida do flamengo, representaram forte, deixando a sobriedade se esvair junto com as cinzas da fogueira. Não demorou para que começássemos aquele papo tradicional masculino, com várias risadas e pérolas, tais como ficar fazendo “sinal de pica avulsa” para os outros acampamento com esperança miserável, mas o que importava mesmo é que a cena era extremamente cômica.

Para finalizar a noite, um cara com a camiseta do justiceiro saiu de outro acampamento, próximo ao nosso e veio cambaleando até a nossa roda, com uma garrafa long neck de skol, indicando o certificado de doidão. Convidei o vizinho a se juntar a nós e não demorou muito para se mostrar um piadista nato. O detalhe é que ele não fazia piadas, ele era a própria! O justiceiro teve o azar de chegar na roda bem naquele momento papo cabeça, pois o tema em questão era logística no Brasil e o nó rodoviário. O cara não conseguia falar nada, todas as suas frases eram incompletas. Ele começava:

- É! Tipo!...

Ficávamos na expectativa de que ele fosse terminar a frase, mas ele sempre emperrava. Como o estado do pessoal não estava tão distante do justiceiro doidão, resolvemos abortar a missão e dormir.

Em breve o relato do dia 2...

domingo, 16 de setembro de 2012

Arrumem suas malas, vamos para a Cachoeira do Alemão!

Planejamento


Já fazia algum tempo que eu queria acampar, é um hobbie, mas não mexia minha bunda gorda para organizar nada. Certo dia, sentado em frente ao computador, comecei a dar uma olhada nos feriados e me dei conta que sete de setembro seria perfeito para realizar a trip, já que seria numa sexta-feira.

            Criei o evento, selecionei as pessoas da minha lista que acreditei terem algum interesse em acampar e logo começamos a movimentar opiniões de lugares. Até chegarmos a consenso, demorou um pouco. Sugeri o Recanto dos Papagaios, mas logo ficamos sabendo que o lugar é cheio de vileiros muito mal freqüentado e optamos por ficar longe dos farofeiros.

              Eis que alguém falou de uma tal de Cachoeira do Panelão, lugar sensacional, com muitas árvores, trilhas e obviamente, uma belíssima cachoeira. Para estruturar melhor o “evento”, escrevi um documento em formato 5W2H. O documento também serviu para mostrar aos indecisos que a viagem era possível, detalhando passo a passo como tudo funcionaria. Venda bem seu peixe e conquiste vários clientes!

            O grande problema é que o Panelão estava em reforma. Liguei para os proprietários e fui informado de que o local talvez abrisse para o feriado de sete de setembro. Todos nos animamos e várias confirmações apareceram. Teve uma hora que faltou até carona para todos que confirmaram, de tanta gente que estava interessada. Chegamos a um detalhe bem importante, que também foi o divisor de águas da nossa aventura eminente, o preço do Panelão. O proprietário do local confirmou a abertura e também informou o preço...



O amigão queria nos cobrar quase CEM MANGOS (R$ 100) para passar três dias no local, um absurdo para quem quer curtir um acampamento, que deveria ser até então um programa de pobre mais econômico do que viajar para praia ou semelhantes. Quando o cara não quis nem negociar, independente de quantas pessoas iriam, fiquei com vontade de mandá-lo tomar no rabo e desliguei o telefone, informei o pessoal do problema financeiro em questão e todos concordaram que seria inviável.

              Tínhamos pensado também na Cachoeira do Alemão, local já conhecido e aprovado por mim em outra empreitada. Pelo que lembrava, a diária no Alemão era dez mangos, então gastaríamos no máximo trinta para os três dias. Não parecia tão legal quanto o Panelão, mas era o que tinha para hoje nossa única opção, pois todas as outras eram ou muito longe ou muito caras. Nos 48 do segundo tempo uma galera começou a desistir e cheguei a pensar em abortar o evento, mas na noite de quinta-feira conseguimos 2 carros, 1 fusca e 12 pessoas.

Hey Ho! Let’s Go!


Combinamos de nos encontrar as 8hrs no posto Ipiranga da sete de setembro, próximo a praça do Japão. Devido ao atraso de três horas da Natália problemas de logística, saímos de Curitiba as 11hrs. O detalhe é que para economizar espaço nos carros, resolvemos amarrar algumas malas no rack do Herbie, o fusquinha malandro.

Fui suficientemente esperto para colocar meus travesseiros em cima do fusca, escolha da qual futuramente me arrependeria amargamente (vocês descobrirão na sequência o porquê).

             A estrada estava tão agradável de trafegar quanto quando ficamos com vontade de cagar enquanto tomamos banho, você não quer fazer isso, mas é necessário. O Huppes estava com um bigodinho a lá Fred Mercury e um boné com desenhos abstratos, dirigindo o Herbie deixava a cena um tanto quanto caricata. Ao longo da rodovia, nosso amigo fusca estava indo bem, chegando até 100 km/h, pasmem. Ia chacoalhando feita batedeira em mãos de Parkinson, mas ainda assim, rumando seu destino.

           A situação começou a ficar delicada quando quase batemos no carro do nosso amigo Philippe, dando uma freada que fez o Herbie derrapar, parando a poucos centímetros dele. Nosso motorista sinalizou:

- O freio colou.

Curioso com o pronunciamento, questionei:

- Como assim? Que porra significa isso?

- Estamos sem freio.

- Hm.

Tensão total. Trafegar pela rodovia sem freio parecia um tanto quanto perigoso, mas como eu estava em total espírito de aventura, liguei o foda-se não me preocupei.

           Chegamos à estrada de terra e o fusca parecia desenvolver melhor, segundo o piloto Huppes, ele tinha sido feito para navegar neste tipo de estrada, como se fosse um mini Jeep. Conforme íamos progredindo no percurso, lembrei de um detalhe importantíssimo...

Estrada de terra... bagagens em cima do Herbie... meus travesseiros... merda.

Conclui que afinal de contas não seria uma das noites mais agradáveis dormindo no meu saco de dormir e com travesseiros 100% poeira de estrada. O espírito aventureiro sempre presente, desanimar jamais, o negócio é AVENTURA!

             Pouco depois de passar por uma placa que indicava apenas 4 km do nosso destino, tivemos nossa primeira parada, não para apreciar a vista, não para descansar e tomar água fresca em uma bica, mas para prestar devido atendimento ao Herbie, que estava apresentando um sintoma preocupante... fumaça saindo do motor. Abrimos o capô e lá estava o problema, bem em frente aos nossos olhos. Ainda bem que o problema era bem visível, coisa que até aqueles golfinhos que colocam círculos e quadrados em espaços quebra-cabeça, conseguiriam identificar. Duas engrenagens próximas e uma correia solta...



















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A continuação do relato virá a seguir para que o post não fique maior do que já está :D