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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Vida em sociedade, tretas no hostel, de chocotorta a tiramisu, meu amor pela argentina, Córdoba - província maravilhosa

Finalmente cheguei em Córdoba. Sujo, cansado, todo queimado do sol por ter ficado horas pedindo carona por três dias, sem bateria e com muita vontade de me deitar em uma cama e dormir por longas horas.

No terminal de ônibus procurei uma tomada para carregar meu celular e infelizmente não encontrei. Fui ao banheiro e ali havia, mas junto a tomada havia um senhor daqueles se aproveitam se estrangeiros e me cobrou 10 pesos para meia hora de recarga na tomada do banheiro público. Acredito que se eu tivesse procurado um pouco mais, teria encontrado a dita tomada, mas apenas minha memória sabe o quanto eu não queria procurar mais nada. Só queria descansar. Paguei a porcaria dos 10 pesos (quando se é mochileiro – daqueles que pagam as coisas e que não são sustentados pelos pais – sabe que qualquer 10 pesos gastos em merda uma hora faz falta).

Assim que cheguei na porta do hostel, toquei a campainha diversas vezes e nada, parecia que não havia ninguém. Nesta hora eu tive um mini desespero porque eu não tinha um plano B. Não vou dizer pra vocês que é sempre necessário ter um plano B em todas as partes da viagem porque afinal de contas é um tanto quanto complicado planejar mais de dois meses de viagem em todos os lugares que vai passar e com plano B pra todos. Esse é o tipo de situação que é tranquilo resolver.

Comecei a falar com meu melhor amigo no Brasil (santo melhor amigo) pro whatsapp com 20% de bateria para que ele pudesse me ajudar a encontrar um hostel na região onde eu estava. Tive também a ajuda de uma amiga de Córdoba que conheci no Interpals. Quando já estava quase indo para o hostel, uma das portas do hostel se abriu e dela saiu uma linda garota com um sotaque nada argentino que depois descobriria que é chilena, Gabi. Ela disse que havia gente e que teria que insistir um pouco mais na campainha e voi lá, apareceu gente para abrir.

O hostel é meio velhinho, mas tem tudo que os hospedes precisam para sobreviver. O lugar já tem 20 anos e é um dos primeiros hostels da Argentina, então é certamente um lugar cheio de histórias. O dono, um homem muito bem humorado e inteligente, me ajudou muito mais do que eu o ajudei.

PRIMEIRO TRABALHO PELO HELPX

Importante dizer que o trabalho neste hostel foi o primeiro trabalho pelo Helpx que eu fiz. Se você não conhece o que é o Helpx, não deixe de conferir este post.

O trabalho consistiria basicamente em atender os hóspedes (ou passageiros, como chamam nos hostels – pelo menos da Argentina), manter as coisas ordenadas (cozinha, banheiro, sala, etc) e fazer planos de marketing para atrair mais gente.

Como profissional de marketing a gente faz o que pode, né? Você apresenta sugestões e muito depende também da aceitação e maneira de pensar do cliente. Desenvolvi algumas estratégias que basicamente consistiam em publicidades por redes sociais como YouTube, Twitter e Facebook, uso melhor do website, reformulação do blog, campanhas em google adwords e criação de eventos.

Eu teria que dividir o quarto com dois caras. Os dois aparentavam ser boas pessoas! Mais tarde infelizmente descobri que apenas um deles era realmente boa pessoa. A última vez que tinha dividido um quarto com alguém já tinha quase 20 anos, com meu irmão mais velho e a experiência familiar não funcionava com a melhor das harmonias. Quem me conhece sabe que sou maníaco por organização. No Brasil meu guarda-roupa é separado por gênero de roupas tipo: roupas de trabalho, camisas polo (de um tons claros a escuros), roupas de esportes e etc. Além da minha própria estante ser toda arrumada da mesma forma.

O problema é que os caras, Leandro e Martín, eram uma dupla em parte bem desagradável. Martín em especial chegava no quarto e jogava suas roupas no chão, na minha cama, na cama do Leandro, no sofá e até mesmo nas abas da janela, além de ser machista e bancar de comedor o tempo todo. Aquele tipo que precisa ficar se autoafirmando porque precisa provar pra si e para os outros que é fudidão. Leandro fazia o tipo reservado e volúvel. Como estava próximo a Martin, seguia em muita coisa o mesmo comportamento, como a falta de organização e o lance de fumar no quarto. Ao contrário do eu havia pensado, não esquentei a cabeça. Sempre deixei as minhas coisas organizadas e boa. Não era minha casa mesmo, eu estava ali de passagem e sei o quanto é difícil ou quase impossível querer mudar alguém. Me adaptei. Não baguncei nada, mantive minha ordem e justamente, não me preocupei.

Minhas roupas na direita :P
Logo no dia que cheguei, saí com Martín para comprar comida e ele pareceu realmente bacana se fazendo de amigo e até pagando algumas coisas pra mim. Dizia que era um “presente”. É um tipo extremamente machista, que acha que a mulher é objeto e que falar da sua suposta vida sexual afirma seu caráter como “macho”, além de ficar tirando onda com a minha cara porque eu não bebo, não fumo cigarros, sou vegetariano e não sou gay. Bom, como já sou acostumado com as mesmas piadas idiotas no Brasil, ainda mais vindo diretamente dos meus melhores, não liguei. Definitivamente procuro não esquentar a cabeça com essas besteiras e ainda atuo como se estivesse achando engraçado porque não me custa nada. A grande verdade é que eu realmente não ligo. Procuro entender certas ignorâncias.

Mas o legal é que na Argentina esse lance de ficar tirando o outro pra “viado” é algo em uma escala extremamente reduzida. Na Argentina e no Uruguai, na verdade. No Brasil qualquer coisa que você faz, é motivo pra te chamarem de gay: se você se veste bem você é gay, se você usa cachecol você é gay, se você não bebe você é gay, se você é vegetariano/vegan você é gay, se você não chama os outros de gay é porque você é gay, se você cuida da saúde você é gay, se você gosta de dançar você é gay, se você desenha a barba você é gay, se você usa rosa você é gay, se você é organizado você é gay, se você não curte ou não joga futebol você é gay, se você tem amigos gays você é gay, se você diz que ama seu amigo você é gay (e quando diz que ama tem que dizer TE AMO COMO AMIGO), entre outras coisas que eu acho extremamente idiotas, ignorantes e com certeza homofóbicas/machistas. Para se ter ideia de como isso é reduzido na Argentina, os homens se cumprimentam com beijo no rosto. Um tapa na cara da sociedade brasileira, grande lição.

Depois de bons dias de descanso, comecei a fazer as chocotortas para vender e no meu primeiro passeio de vendas, foi um fracasso total, não vendi nenhuma. Na verdade me deixei levar pelos incentivos mesmo sabendo que o dia não era propício. Em geral, Córdoba é uma cidade muito quente, coisa de 30~40 graus todos os dias, com um sol tão forte que é difícil sair nas ruas antes das 16:30, sem exageros. No dia que eu resolvi sair pra vender, era um dos únicos dias que estava frio e com um vento bem gelado. Então óbvio que não havia ninguém na rua, mas assim, quase ninguém mesmo. No outro dia já estava calor e vendi todas em menos de uma hora a uma quadra de casa. Sucesso! Em geral o cordobês é muito bacana e recebe muito bem a todos, então as vendas não foram difíceis. Até algumas pessoas do hostel compraram as chocotortas!

Desde que comecei a falar da chocotorta para o Victor, ele disse que a estrutura em muito parecia com algo que seria o grande responsável por uma boa grana em poucas horas, o tiramisu. Ele me mostrou um livro de tiramisus e realmente, a chocotorta tinha um quê de tiramisu.

Fizemos uma boa pesquisa de preços pela região, que por sorte ajudava, e muito, nos custos. Assim adaptei meu produto. Reduzi meu preço a 10 pesos, mas o meu lucro era muito maior, visto que meu custo estava em torno de 1,20 por tiramisu.

Esta é uma receita onde alguns insumos vão durar muito mais que 50 porções. Lápis e caneta na mão que agora vem a receita de ouro:

Ingredientes

3 chocolinas grandes
1l de creme de leite vegetal
50 copinhos de plástico
50 colherinhas de plástico
1 xícara de café instantâneo com duas colheres de sopa de licor de chocolate
250g de morangos
1 pudim de chocolate (daqueles que se faz com pacote mesmo)
Papel plásticos (putz, não sei se é esse o nome, mas provisoriamente fica esse)
100g de doce de leite
Elásticos

Essa receita serve 50 porções

Passo 1

Fazer o pudim
Cortar os morangos em cubo e adicionar uma colher de açúcar por cima
Bater o creme de leite vegetal até que fique com uma consistência meio iogurte, aí mesclar o doce de leite e bater tudo até que fique um pouco mais consistente
- Reservar tudo na geladeira por três horas


Passo 2

Molhar uma bolacha em um café expresso bem forte com o licor de chocolate e quebrar para que fique no fundo do copinho
Adicionar um pouco de pudim de chocolate
Adicionar um pouco de morango em cubos
Adicionar mais uma camada de bolacha embebida na mistura
Completar com a mescla de creme de leite vegetal com doce de leite
Quebre um pouco de bolacha em cima para que com um visual mais bacana

Passo 3

Corte um plástico em formato de quadrado e coloque em cima do copinho
Lacre com o elástico
Prenda a colherinha no elástico

Deixar na geladeira por duas horas.



Voi lá!
O primeiro teste com os tiramisus foi um completo sucesso. Para não perder o costume vou descrever o que fez com que meu produto tivesse o sucesso que teve, maior ainda que o da chocotorta. Algumas constatações:

1. O tiramisu é uma sobremesa que existe no mundo todo praticamente, mas não é todo mundo que sabe o que é. Geralmente as pessoas que sabem têm algum conhecimento de confeitaria. O diferente chama atenção!

2. O doce tem um impacto visual tremendo. Por ser um doce onde as camadas são vistas, despertando curiosidade assim que o produto é levado a vista.

3. O grande lance da venda do tiramisu era sacá-lo da térmica antes mesmo de chegar na “presa”, porque assim eu já tinha a atenção dela mesmo antes de começar a falar.

4. Uma estratégia ótima na venda consistia no meu discurso quase infalível. Posso dizer seguramente que uma entre três pessoas compravam. Nunca foi tão fácil vender (sem brincadeira). Quem me conhece sabe que eu gosto mais da parte do planejamento e da estratégia muito mais que da execução, mas quando se é uma empresa de um homem só, são ossos do ofício. Vamos lá:
ESP:
- Hola, buenas tardes! Yo me llamo Guillermo, soy brasileño y estoy recorriendo sudamerica vendendo tiramisus helados com frutilla.
PORT:
- Olá, boa tarde! Meu nome é Guilherme, sou brasileiro e estou viajando pela América do Sul vendendo tiramisus gelados com morango.

(agora sim começa a apelação)

ESP:
Acá abajo hay galletas mojadas com café y licor de chocolate, frutillas en cobos, flan de chocolate y arriba una mezcla de crema de leche con dulce de leche.
PORT:
Abaixo tem bolachas molhadas com café e licor de chocolate, morangos em cubos, pudim de chocolate e em cima uma mistura de creme de leite com doce de leite.

(para fechar a venda, uma conclusão que mais parecia uma pergunta)
ESP:
Todo esto solamente por diez pesos.
PORT:
Tudo isso por somente dez pesos.

Discursinho caprichado, hein? Vou te contar o porquê.

Quando eu levava o produto à vista da galera, era como hipnotizá-los! Conforme eu falava a descrição do que tinha, o interesse crescia. Quando você diz que tem uma porção de coisas saborosas e no fim fala a palavra mágica “dulce de leche” e logo em seguida diz “10 pesos”, a probabilidade de recusa é muito baixa.

5. O preço do tiramisu tava dado. 10 pesos é o tipo de grana que a galera sempre tem e o melhor de tudo: é difícil gente que precise de troco. O famoso “dá dois, por favor!” era muito ouvido.

6. Mas não é muito doce isso? Credo, tanta coisa doce junta assim deve ficar meio difícil de engolir, né? A resposta para essas dúvidas cruéis consiste em duas palavras: café e licor. O gosto forte do café e o toque alcoólico na mistura, juntos, quebram toda essa melança do açúcar, ainda mais sendo duas camadas de bolachas molhadas com isso. Sem mais objeções, né?


Logo no primeiro dia de venda notei que era muito mais um passeio para conhecer gente do que uma venda mesmo. Os argentinos recebem muito bem os brasileiros e quando mais em Córdoba. A província é tão maravilhosa em tantos pontos que fica difícil dizer que eu não moraria ali. Ao longo de uma tarde de vendas, eu era convidado a tomar mate, a provar lanchinhos, a dar um tapinha na pantera (num sô de ferro, né), a conversar com belas argentinas e por aí vai.

Um dia vi de longe três pessoas sentadas tomando sol, sentados em uma toalha. Duas garotas e um cara. Olhei melhor e... as minas estavam sem nada na parte de cima! Uau! Que beleza! Liberdade, mermão! Assim fui comovido por uma força de vendas extraordinária! Enxerguei um potencial de compras indefectível naquelas moças e obviamente ofereci meu produto a elas. Para o meu azar, as chicas francesas não hablavam castellano e tão interessado quanto eu estava nelas, o chico francês estava interessado em mim, mas ninguém estava interessado nos tiramisus! Tudo bem, não poderia dar o “tiramisu” que o francês queria, mas conversamos um pouco e segui a caminhada. Também não posso dizer que tudo foi perdido, né? Só o visual daquele panorama estratégico de vendas repleto de hormônios e oportunidades valeu a tentativa.


Para se ter uma ideia do quão fácil e lucrativo vender, eu chegava a ter um retorno de mais de R$ 130 em três ou quatro horas de trabalho! Sem chefe, conhecendo gente bacana e me divertindo! No Brasil trabalhando como barman eu ganhava R$ 100 numa noite com mais de 12 horas de trabalho as vezes! Isso com uma cambada de lazarentos me torrando o saco (e não tô falando dos clientes). Portanto eu já havia criado meu plano ideal de geração de receita. Os lances da faculdade me ajudaram muito a respeito de detalhes com custo, investimento, lucro, estratégias e análises de mercado. Mais uma vez digo que minha intenção é conseguir passar da melhor forma o que fiz para que vocês possam fazer o mesmo ou melhor :)

Fui dormir feliz. Havia feito uma boa grana em poucas horas e com uma perspectiva de ganho muito maior nos outros dias. Para dormir foi uma beleza, mas o problema é que o sonho dos campeões lamentavelmente foi interrompido por não mais que ele, o suposto amigo de quem falei antes, Martin. Acordei com ele fumando seu cigarro fedorento soprando fumaça da minha cara, golpeando o meu andar do beliche (o de cima) com socos e soltando palavrões de todas as espécies. Eu não tinha ideia do que estava rolando, só sei que não tinha nada a ver com a porra toda. Ele viu que eu acordei e não contente com o já armado showzinho, disse “Não gostou, brasileiro??? Também não gosto de você! Se não gostou vaza daqui seu viado de merda!”. O filho da puta estava completamente bêbado e não parava de dizer que o dono do hostel havia roubado ele, que queria meter porrada no cara e não sei o que mais.

No meio de toda essa treta, percebi que ele estava com a garrafa do MEU SUCO tomando na moral, como se fosse dele. Assim que se cansou de falar asneiras e de fumar duzentos cigarros, putreficando (existe essa palavra ou criei um neologismo? Quem é esperto nunca fala que é erro!) o ambiente com seu perfume de vodka barata misturado com fedor de azedo (argh!), deitou. Eu já estava muito feliz com ele, mas quando dei uma olhada no abençoado (como diria minha tia), o que vi colado na bundinha dele? Três papéis plásticos sujos de algo que parecia creme de leite mesclado com dulce de leche tudo isso por 10 pesos! Imagine de onde vieram?


Minha vontade era de atirar aquele amontoado de fedor, ignorância, chulé e desonestidade pela janela! Fala sério, tenho paciência de ouro, né? O cidadão me acorda porreteando minha cama me tirando do sonho dos campeões, com cigarro na minha cara, tomando a porra do meu suco e ainda roba na moral três itens da minha principal fonte de renda? Não poupando palavrões, caros leitores, mas puta que o pariu, hein?! Nessas horas dou graças por ter tido uma psicóloga tão boa que até nesses momentos me faz pensar em qual atitude seria prudente tomar. Ok, posso ser um trouxa por não ter feito nada, mas o que eu menos quero é dor de cabeça e falar para um ladrão bêbado que está acusando alguém de roubo que na verdade ele é o ladrão não pode sair uma conversa muito amigável, certo? Além do que ali eu perdi uns 25 pesos, mas eu garanto a vocês que paguei barato porque se eu pudesse teria pago 50 pra não ver aquele showzinho.

No outro dia, depois que ele já havia saído e roubado meu pulover também, descobri que, como diriam os argentinos, ele armou aquele quilombo porque não tinha grana pra pagar a porra do aluguel (o número de palavrões está diretamente proporcional ao meu grau de indignação naquele momento). Também fiquei sabendo que o meu outro colega de quarto havia sido roubado em 1700 pesos (400 reais aprox) em outra ocasião e que Martín alegava que no mesmo dia que roubaram 1700 pesos do Leandro, havia sumido exatos 300 pesos do cofrinho de moeda dele e justo no mesmo dia do roubo todo, ele havia aparecido com uma tatuagem linda no peito. O grande detalhe é que no cofrinho havia mil pesos. Portanto como um ladrão abre um cofrinho e rouba somente 300 pesos e deixa os outros setecentos pesos lá, Sherlock? Não tá nem mal contada essa história, né? Tá é ridícula! Enfim, passou, recolheu sua bagunça (MEUS TIRAMISUS E MEU PULOVER) e se foi, para eu ver sua cara feia somente algumas semanas depois em um bar, enquanto tomava minha água com gás e limão espremido enquanto olhava pra ele com cara de cu e ele, por sua vez, não tinha coragem de me olhar na cara – obvio.

Bons momentos, ahn? Mas sem dúvidas foram os únicos momentos dos quais eu tive vontade de cometer um assassinato nessa viagem. De resto Córdoba me confortou.

Assim que eu consegui reestabelecer minhas finanças, me dar ao luxo de comer brócoli todos os dias e suco de caixinha, passei a desfrutar mais da bela cidade de Córdoba e também de seus pueblos.

Uma experiência muito válida foi ver Hunger Games – Mockingjay, ou em espanhol Juegos del Hambre – Sinsajo, no cinema. Filmasso! Pena que, assim como no Brasil, os rangos do cinema são super caros! Uma água saiu por quase 8 reais! Algo que não tem no Brasil, pelo menos nas cidades por onde passei, é venda dentro do cinema. Ao longo dos traillers, um homem fica em frente ao telão com pipoca, chocolate, refrigerantes, etc à disposição da galera. É só levantar a mão, ele vai a sua poltrona, te entrega o que você quer e assim que começa o filme ele vaza.


Boa dica para quem vai visitar Córdoba é o ir ao Paseo del Buen Pastor onde tem uma espécie de “show das águas”. Tem um chafariz e todos os dias toca músicas em um certo horário os esquemas do chafariz de movem com luzes e cores muito lindos! Vale a pena ver!


Motivos pelo qual eu amo Córdoba e quem sabe um dia morarei lá:

1. Fácil acesso a cultura – teatros, shows de rock, tango, candombes (simm, do uruguai! Tem movimento lá também) e muito mais (você coloca muito mais quando não lembra ou não sabe)


2. Clima agradável – Pode ser um calor super forte, mas o agradável aí é porque é agradável pra minha rinite que em um mês de Córdoba não deu as caras! \o/

3. Cordobeses – Os argentinos em geral são muito receptivos, mas os cordobeses até agora são os mais queridos. A cidade tá cheia de gente bonita e que recebe todos muito bem.

4. Segurança – A polícia de Córdoba é considerada a com menos porcentagem de corrupção (menor, mas mesmo assim é grande) e o número de crimes na província é pouco comparado ao de outras

5. Parques e mais parques – Parque Las Tejas e Parque Sarmiento são ótimas opções para tomar um mate e conversar


6. Com poucos pesos é possível chegar em lindos pueblos (cidades pequenas) como Capilla del Monte, Carlos Paz, Cosquin, Mina Clavero e Copina.


7. Viajar de carona nessa região é moleza!


8. O trem que vai desde Córdoba até Buenos Aires custa 35 pesos! Andar 700km e pagar só R$ 8,60 aprox. é coisa que só se vê na Argentina, né? (Mas pra isso você precisa comprar a passagem tipo três meses antes :O ou tentar na hora alguma desistência, que geralmente rola).

9. Tem um mercadão onde os preços são de brinks! Fica na rua Oncativo número 50.


No próximo post vou falar sobre minha viagem aos pueblos de Córdoba (Carlos Paz e Capilla del Monte), como foi minha viagem de carona até Mendoza em mais quase 700km de aventura e minha chegada ao Chile. Não perca!

BÔNUS!

Palavras argentinas/uruguaias/chilenas que são iguais a palavras do português somente na maneira de escrever

Países: Argentina/Uruguai/Chile
Fome: Usado em expressões como "que chato", eles dizem, "que fome"
Tarado: Mané, mongo
Rato: Palavra que indica tempo, ex: "me quedo un rato" = "fico um tempo"
Vaso: Copo
Taza: Xícara
Copa: Taça
Comedor: Lugar onde as pessoas comem
Boliche: Balada
Exquisito: Gostoso
Extrañar: Sentir falta de alguém
Sorvete: Canudo

País: Uruguai
Mulher ou homem gatx: Para os uruguaios é um dos termos "simpáticos" que são usados para dizer que uma mulher ou homem é putx

País: Chile
Camarote: Beliche

Países: Argentina/Uruguai
Pajero: Vagabundo, folgado
Vagabundo: Mendigo

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Uruguay – Punta leste da ostentação, uruguaio espartano, músicas brasileiras, crianças zueras, candombles, amigas mochileiras, polícia bacana, Pepe Mujica e Tabaré Sendic, vinho e longas caminhadas em Montevideo

Depois de tantos problemas com a imigração, consegui chegar ao Uruguai. Viajei pela empresa Pullman e paguei ARG$ 410 (equivalente a R$ 80) e fiquei impressionado com o ônibus super top. Altos lanchinhos (quase todos com carne, mas beleza), suquinho e um banco super confortável, que fizeram as oito horas de viagem passarem rapidão.

Punta del Este da ostentação

Cheguei em Montevideo, tomei um outro ônibus para Punta del Este por URU$ 223 (equivalente a R$ 23) e assim que cheguei, fui recepcionado pela bela e amável Flô. No dia que cheguei o tempo estava um lixo, chovia muito e pensei que teria esse azar nos próximos dias, mas felizmente estava errado. Minha anfitriã foi sempre uma excelente, logo de cara deixou as chaves de casa em minhas mãos e disse que estava livre para sair e entrar a hora que quisesse.

"Guille, fui ao jogo e volto mais tarde. Pegue o que quiser para comer e qualquer coisa me ligue. Flor"
Saí para comprar um chip, comi uma empanada de queijo e cebola que me deixou triste por não ter comido mais depois, deliciosa demais. Punta del Este é uma cidade bem cara, vou logo avisando! Para eu, pobretão, que tava acostumado a pagar 5 pesos argentinos numa fatia de pizza, fiquei bem assustado com os preços! Não conseguia encontrar um lugar para comprar um chip então resolvi perguntar a dois policiais. Sou uma pessoa quase livre de preconceitos porque não curto muito polícias em geral, mas bem, essas fizeram eu quebrar minha cara. Além de indicarem o lugar certinho, foram super educados e na volta ainda perguntaram se havia dado tudo certo (que polícia é essa?! Parece a PM do Brasil, né? Não né?) Mais tarde fui saber que a polícia é somente uma das coisas boas do Uruguai.



Ao contrário do que muita gente pensa, a galera não fuma verdinho livremente no meio da rua. Em Punta as pessoas fumam de maneira mais reservada. Se estão em um bar, vão a quadra ao lado para fumar e depois voltam. É liberado sim, mas a galera prefere não dar tanto na cara. Isso em Punta del Este, porque em Montevideo é fumado mesmo em qualquer parte.

Curti uma noite num conhecido barzinho de Punta chamado El Pocho. Pequeno, mas com mesa de sinuca, rock bom e relativamente barato para Punta ostentação. Muito diferente do que jogo em Curitiba, as caçapas são bem maiores, no jogo clássico da bola 8 não são maiores e menores que oito, e sim como jogam em São Paulo, listradas e não listradas. Outra diferença é a penalidade, lá quando alguém erra a bola, acerta primeiro a bola do adversário ou derruba uma bola do adversário (situações de penalidade), eles não ganham uma bola, assim como fazemos em grande parte do Brasil. Lá o adversário tem uma jogada a mais. E algo curioso também é que a oito tem uma caçapa certa onde deve ser derrubada, que é exatamente a última caçapa em que você acertou a sua última bola antes de ir para a oito. Diferente, né? O fato é que eu e a Flô ganhamos quase todas hahahahaha e depois ainda dei boas risadas escutando o namorado dela cuzidão falando um monte de merda em português. Quem já ouviu os hermanos (de quaisquer países da américa do sul) falando português zuando sabe o quão engraçado é. Nesta noite Agustín havia me chamado pra ir a uma festa que recusei porque sairia com Flô. Depois fiquei sabendo que era a festa de aniversário de um figurão milionário da cidade, com muitas muitas mulheres (tenho que dizer que as uruguaias são maravilhosas!), de graça, com tudo liberado e com altos DJ's e não sei o que mais HAHAHAHA. Que beleza, hein? Bom, a minha noite no El Pocho foi ótima também.

Depois fui a Maldonado, que é muito próximo a Punta, onde fiquei na casa do Sérgio e depois na casa do Agustín e do Pedro, onde igualmente fui tratado bem em todos os lugares. Com Sérgio visitei museus, conheci a praia de Maldonado e aprendi um bocado sobre o país. Assim como no Brasil, o país estava em época de eleições, então pude acompanhar de perto como tudo aconteceu.



Como muitos sabem, quem está no poder é Pepe Mujica, internacionalmente conhecido por muitos motivos, mas o principal é que legalizou a cannabis no Uruguai. Mujica é um político que tem o respeito de todos os líderes mundiais. Podem não concordar com ele, mas respeitam muito sua opinião. Mujica é um dos únicos presidentes do mundo que doa 90% do que ganha a caridade e vive em uma pequena chácara, além de ter como automóvel um simpático fusquinha. É um velhinho com boas ideias que mudaram o Uruguai e que conquistou a maior parte da população. Faz parte da esquerda uruguaia, assim como Tabaré Sendic do mesmo partido, que estava antes dele e que foi ao segundo turno desta eleição, a balotage, como chamam aqui (porque Pepe não pode mais se candidatar porque já atingiu o tempo máximo no poder). A educação pública no Uruguai é ótima! As crianças ganham um notebook das escolas maximizando a viabilidade da informação. Homofobia, assim como racismo, é crime e o casamento igualitário existe já tem tempo em todos os lugares do Uruguai. As porcentagem de aprovação do governo de Mujica é assustadora, confira:

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LOS URUGUAYOS Y EL PRESIDENTE MUJICA


A casi dos meses de asumir el nuevo gobierno, los uruguayos están en plena luna de miel con el Presidente Mujica. Las dos terceras partes (el 66%) aprueban la gestión del presidente, y apenas un 6% la desaprueba. Curiosamente, estos valores son exactamente iguales a los de Tabaré Vázquez a la misma altura de su gobierno, hace cinco años.

Estos números confirman los resultados de otras encuestadoras difundidos recientemente; la única diferencia es que estos datos son un poco más favorables para Mujica.

El 83% de los votantes frentistas, y mayorías absolutas de los votantes blancos y colorados (en los dos casos 53%) aprueban la gestión del Presidente. Cinco años atrás el 86% de los frentistas aprobaban la gestión del Presidente, un porcentaje algo mayor pero similar al actual 83%. Entre blancos y colorados, en cambio, los porcentajes de aprobación de Mujica son más altos. En 2005 también aprobaban la gestión de Vázquez, pero eran mayorías relativas, no absolutas.

Además, el presidente sigue siendo muy popular. Las dos terceras partes de los uruguayos (66%, igual que la aprobación de la gestión) expresan simpatía hacia Mujica. Este 66% es también prácticamente igual a la popularidad de Vázquez a dos meses de asumir la presidencia (era 65%).

Conversei com um oficial da marinha uruguaia que é gay e ele disse que se sente muito mais tranquilo hoje, que pode trabalhar sem ouvir besteiras de colegas de trabalho. Afinal é crime e se falar besteira vai pro xadrez. O respeito a mulher também é algo que me impressionou. Diferente do que infelizmente acontece nas terras tupiniquins, no Uruguai os homens não ficam falando aquelas atrocidades para as mulheres que passam pela rua. Se você é daqueles que pensa “Ah, mas se uma mulher mexesse comigo eu também gostaria”, comece a refletir porque não é só porque você gostaria que ela também vai gostar. As pessoas são incrivelmente mais envolvidos com política do que no Brasil.



Quem estava na rua trabalhando por Tabaré, eram pessoas que não estavam sendo pagas para fazer isso. Estavam fazendo por gosto, porque estavam lutando para que seus ideais também fossem eleitos. Comparar um país super pequeno de três milhões em sua população com um Brasil enorme e com uma história completamente distinta é covardia, eu sei, mas vale a pena dizer o que tem de diferente para instigar algum pensamento e também para incentivar a conhecer este país.

Eles também tem problemas, é claro, a economia anda mal das pernas já tem algum tempo. Outra coisa bacana é que tiraram muitas famílias tradicionais que estavam no poder já tem um bom tempo e que funcionavam como uma máfia, como acontece em Curitiba como as famílias Gulin, Richa, Camargo e algumas outras (isso sim precisa muito mudar em Ctba).

Para os curiosos de plantão, a mary juana ainda não é vendida nas farmácias, mas as pessoas podem plantar em casa um total de seis plantas (e para quem não sabe, sete plantas em casa significa suficiente para toda a vida em boas quantidades).

Em Maldonado tive o prazer de tocar violão para uma roda de mulheres uruguaias lindas, todas amigas de Pedro e Agustín, enquanto tomávamos mate. Mate é algo comum no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, pelo que conheço do Brasil, além de algumas outras regiões no Paraná. Na Argentina é normal que a grande maioria toma e dizem até que por mais pobre que a pessoa seja, ela tem mate em casa. Mas no Uruguai... lá eles passam dos limites! Existe até uma plaquinha dentro do ônibus que proibe o consumo de mate! E mesmo assim havia pessoas tomando! As pessoas tomam loucamente todo o tempo em todo fucking lugar! As pessoas andam na rua com o mate na mão, tomam mate no busão e até mesmo na praia com um calor de 40 graus!!!!!! Na praia de Maldonado vi uma senhora, de blusa, tomando um mate, com um calor de 40 graus <o> Eu curto mate, mas isso já é loucura! Muitas pessoas tem até uma cicatriz na mão por andar muito com o mate quente e derrubar sempre! Pode parecer um exagero o que estou dizendo aqui, mas exagero é a realidade do mate no Uruguai! :O Fiquei chocado, mas também tomei muito mate e agora estou com uma cicatriz na m... também não né? Mas que tomei muito disso não tenham dúvidas.



A última cidade por onde passei no Uruguai foi Montevideo, onde fiquei na casa de um cara sem igual, Yoel, o espartano. Mas antes de chegar à casa dele tive que andar um bocado e ainda sendo zuado por crianças uruguaias que apontaram uma direção ultra nada a ver com a que eu buscava logo depois de terem zuado o Brasil por 7x1 da Copa! Ri junto com elas, né? Só depois que descobri que a direção que eles me mandaram era exatamente a oposta do que teria que ir que já não achava elas tão engraçadas assim, A casa parecia ter saído de um filme de terror, com vários quartos cheios de trocentas bugigangas envolvendo bateria, guitarra sem cordas, bonecas de criança alteradas e rabiscadas e com artes em mosaico no banheiro. Algo curioso da casa é que havia caixa de som no banheiro também, bem coisa de casa de festa!

Rolou uma coincidência absurda ao chegar na casa de Yoel. Há alguns meses recebi uma solicitação de couch surfing de um colombiano louco que estava viajando por toda América do Sul, mas acabamos não nos encontrando. Eis que chego em Montevideo, na casa do host e quem eu encontro? Alejandro! Agora com 9 meses de viagem depois de ter passado pelo Brasil! Esse sim estava fazendo uma viagem forte! No dia seguinte ao da minha chegada chegaram três garotas: Colpari (da Bolívia), Magi (da Argentina) e Ire (da Espanha).



Fomos a uma festa no terraço de um prédio, próximo ao palácio do governo com muita música uruguaia e com projeções de telão em outro prédio da frente. Uma psicodelia completa! Algo curioso e diferente do Brasil é que os argentinos e os uruguaios começam suas baladas e festas MUITO mais tarde! As baladas começam a funcionar como 2 ou 3 da manhã! Ficam fazendo esquenta até as 2 da madruga na casa da galera :O Algo que me chamou atenção também que muitas mulheres de Punta del Este tomam Coca-Cola com cerveja! Blergh! E também tratando de festas, um dia em uma das festas que fui colocaram só músicas brasileiras! Fiquei impressionado como conhecem bem Legião Urbana, Raimundos, Zé Ramalho, Raul Seixas, Zeca Baleiro e mais uma porção de outras bandas brasileiras de primeira!

O bom de Montevideo é que é uma cidade pequena com muitas opções de museus, festas e muito Candomblé! Candomblé é como chamam as batucadas que fazem pela cidade. São três tipos diferentes de tambores com ritmos e funções diferentes. Pelo que entendi tem pelo menos quatro vezes por semana e é algo que já faz parte de Montevideo já tem bons anos. A galera vai tocando de um ponto a outro com várias pessoas dançando em frente com coreografias pré ensaiadas e que dão vida e energia ao Candomblé. No último dia minhas amigas já não conseguiam nem escutar mais os tambores hahahahahaha eu gostei bastante! Não sei se é porque estou acostumado com barulho, mas adorei. Algo inusitado! Encontrei uma amiga de Curitiba em um dos Candomblés!



Tive muita dificuldade de sair do Uruguai justamente porque é um lugar maravilhoso. Saí de lá com um gostinho de quero mais e para lá planejo voltar com certeza.

COISAS QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE VIAJAR AO URUGUAI

1 – É um país pequeno, mas bem diferente da Argentina e vale a pena colocar na sua rota.
2 – Uruguai está a anos luz na frente de muitos países da América Latina por sua riqueza cultural e sociopolítica.
3 – É caro sim. Se você quer ir a Punta del Este e quer gastar pouco, compre só em supers e faça comida em Hostel. Uma ótima dica de Hostel para Punta é The Trip Hostel. Caro, mas acho que é um dos mais baratos de punta (e um dos únicos).
4 – Os uruguaios têm um carinho enorme pelo Brasil.
5 – Conheça os Candomblés e você vai se apaixonar cada vez mais pela cultura do país.
6 – Em Montevideo se guie pela Bv. Artigas que é um ótimo referencial pois corta a cidade ao meio.
7 – Nos Candomblés com muitas pessoas não marque com câmeras e celulares fodas a vista porque há crianças que roubam e saem correndo.

8 – Uma boa dica para quem sai de Buenos Aires é comprar a passagem de barco até Colonia del Sacramento porque é a opção mais barata, mas tem que comprar como uma semana antes de sair! A empresa que vende os bilhetes econômicos é a Colonia Express e aí de lá é só pegar um ônibus até Montevideo que sai por mais ou menos R$ 25.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Intro - Mochilão

Para quem for acompanhar esta série de relatos, ressalto que é uma visão de um mochileiro de primeira viagem e que o intuito é compartilhar informações preciosas e que acredito que podem ser úteis a outras pessoas também. Aqui vou escrever parte das minhas aventuras e se você estiver mais interessado em infos de viagem, siga abaixo que vai encontrar um título chamariz.



Sei que este é o tipo de aventura que muita gente quer curtir então darei o meu melhor para passar todas as informações que consegui reunir para conseguir concretizá-la. Para quem está afim de ver fotos da viagem, em breve vou criar um instagram para publicá-las.

Senta que lá vem história


2014 começou pegando fogo pra mim. Muito estudo, muito foco, pouca diversão com apenas uma missão: passar num concurso público.

Depois de muito trabalho e jornadas intensas de estudo, passei no concurso da Caixa Econômica e fiquei em dúvida se continuava a estudar para um concurso melhor ou dava um break pra curtir um pouco depois de 1 ano estudando pra caralho, sem meias palavras. Saí do emprego que estava e passei a fazer freelas com o objetivo de fazer uma viagem para sair do país. Fazer o que? Sair do país! Nem eu sabia o que eu queria fazer direito, só sabia que queria curtir um pouco algum outro canto do mundo.

Na Copa peguei um freela de vendedor ambulante de cartõezinhos 3D da FIFA por dois pilas cada um, fora dos estádios. Tarefa difícil? Não para alguém que curte ser cara de pau, vulgo eu. Vendi para espanhóis, japoneses, uruguaios, equatorianos, americanos, canadenses, nigerianos, hondurenhos, argentinos e muitos outros. Falando inglês, espanhol, portunhol e tudo mais que eu conseguia usar para vender. Ajudava cambistas a vender em inglês e em espanhol e em troca disso eles compravam alguns cartõezinhos. Equatorianos vendiam ingressos para australianos e ambos compravam minha mercadoria porque eu havia lhes ajudado. Meus companheiros vendiam algo em torno de 50 em um dia, enquanto eu vendia 120, 130, quando não mais. Só aí tive noção do que estava perdendo. Se consigo me comunicar tranquilamente com outras pessoas de outros países, por que não visitá-los? Eu precisava mais daquela fonte inesgotável de interação internacional, eu precisava viver aquilo! Interagir com alguém que não é do seu país é algo incrível e infinitamente curioso!

Foi há seis meses que comecei a pesquisar sobre uma possível viagem para fora do país. Pensei em Nova Zelândia, países da Europa, Estados Unidos e pesquisei um bom bocado. Como pobre que sou, conclui:

- Cacete, que caro que é sair do país!

Tinha um programa de voluntariado na África que me cobrava R$ 5000 para passar uma semana trabalhando e sem ganhar comida, fora o custo das passagens. Fiquei um tanto chateado, mas segui com a pesquisa e comecei a olhar com outros olhos a possibilidade de ir a Argentina. Do dia para a noite passei a escutar o triplo de músicas em espanhol que escuto, passei a arriscar algumas versões em espanhol no violão, instalei aplicativos de aprendizado de línguas e comecei a mergulhar cada vez mais nesse mundo. Foi aí que conheci vários sites dos quais falei neste post. Então de uma simples viagem a Argentina, comecei a analisar a possibilidade de fazer um mochilão pela América do Sul.

Entrei no Interpals e comecei a falar com uma porrada de gente de tudo quanto é país, a fazer muitas novas amizades por todo o globo e pouco a pouco comecei a enviar solicitações e mais solicitações de couch surfing para todos os cantos por onde gostaria de passar. Minha vida era somente frazer freelas, planejar e interagir com pessoas de fora para que possivelmente pudessem me hospedar, tocar comigo, sair comigo ou qualquer outro tipo de interação.

Pouco a pouco fui retirando todos os valores de hostels do meu roteiro e a substituí-los por contatos de couch surfing, trabalhos com wooff/helpx em chácaras, hostels, etc. Assim transformei minha viagem de no máximo 20 dias ou 1 mês em um mochilão de pelo menos quatro meses.

Buenos Aires parte 1

Barzinhos, caipirinhas, amigos, polícia cretina, Johnny Cash no metrô, Conan do banheiro, taxista peruano doidão e demais aventuras


Separei meu post sobre Buenos Aires em dois porque fiquei uma semana lá, fui pro Uruguai e depois curti mais uma semana na cidade portenha com dois rolês bem distintos.

Finalmente dei início ao meu mochilão tendo como primeiro destino a belíssima Buenos Aires. Confesso que quando o piloto anunciou a chegada ao aeroporto de Ezeiza, lágrimas escorreram dos meus olhos. Numa fração de segundo lembrei da minha infância, das minhas lutas que começaram muito cedo e, enfim, pude sentir o poder da vitória. Só tive noção da precariedade da minha comunicação quando subi no ônibus rumo ao centro da cidade. Perguntei ao motorista se o ônibus iria para o centro e ele falou uma porrada de coisas que não entendi. Resolvi perguntar se ele poderia me avisar quando tivesse no centro da cidade e ele fez um joia, então pensei “beleza!”. Pouco mais de 40 minutos de viagem paramos em algum lugar que não tenho ideia de onde fica e ele disse que eu teria que pegar outro ônibus para ir até o centro. Se você é pobre lifestyle como eu, acostume-se a pedir muitas informações (ou pague um táxi falando castellano sem sotaque e pague um valor justo). Saí do ônibus perguntando para as pessoas como chegava ao centro e por fim consegui chegar.

Em geral as pessoas foram sempre muito amáveis e curiosamente pensavam que eu era de algum lugar da Europa, como França ou algo assim, qualquer lugar, menos Brasil. Concluí que deve ser porque sou branquelo e narigudo, além de, obviamente, ser descendente de europeus. Também porque acredito que “cara de brasileiro” não deve ter muito devido a miscigenação de raças que temos nas terras tupiniquins.

Cheguei à casa do italiano que me hospedou por quase uma semana e que passou a ser um dos meus melhores amigos, Marco, um cara incrível que viajou por mais de 40 países por 7 anos, que me ensinou a fazer um delicioso prato italiano e que deu bons rolês comigo, totalmente genial. Ao chegar em sua casa fui surpreendido por três americanos da Califórnia. Ryan, Rob e Christian, três engenheiros recém formados que estavam começando seu mochilão pela América do Sul também e, assim como eu, estavam aprendendo a falar castellano.

Eu, Marco (italiano), Ryan e Rob (californianos) em Bosques de Palermo

Passei uma semana maravilhosa e me surpreendi com muitas diferenças que temos com os hermanos mesmo vivendo tão perto. Como os argentinos comem doce, meu Deus! No começo me ferrei um pouco pra encontrar lugares que vendiam coisas que eu comia, porque a maioria dos salgados tem presunto e é menos comum encontrar algo só com queijo. Andei muito de bicicleta por Palermo, Recoleta e também conheci a província Vicente López. Há um bar chamado La dama de Bollini (Bollini 2281) em Palermo onde a entrada é 25 pesos onde além do clima ser ótimo, a música é rock n roll de primeira linha. Fiquei surpreso também ao descobrir que em bares não tem água com gás em garrafas de plástico, infelizmente somente de vidro. Mais tarde descobri também que, falando em água, todas as casas da Argentina e Uruguai tem uma torneira para água quente e outra para água fria, além da grande maioria ter banheira.

Um dia fui dar uma volta de bike na Av. Sta Fé, uma das principais avenidas da cidade (senão a mais importante) e encontrei um hippie vendendo artesanatos. Começamos a conversar, sentei com ele na rua e toquei algumas músicas, pois estava com meu violão. Seu nome é Luciano e o de sua esposa é Gabriela, vendem artesanatos juntos já tem um bom tempo. Depois de um tempo conversando com ele, chegou um outro ser que dizia estar vendendo cartões transporte. É indispensável ter um destes, visto que é usado para ônibus, trem e metrô em Buenos Aires e regiões próximas.

COMO NÃO AGIR FEITO UM IDIOTA – ÓBVIO, PORÉM NECESSÁRIO


O cara disse que o preço era 20 pesos e na frente dele abri minha carteira (idiota parte 1), mas como recém havia feito o câmbio, estava sem notas menores e disse a ele que havia somente 100 (idiota parte 2). Ele disse que não havia problema, que iria buscar o troco com um amigo e eu (super idiota parte 3) entreguei o dinheiro e ele me entregou o cartão. Assim que saiu, Luciano me deu um baita esporro dizendo que sou inocente demais por confiar em malandro e que o cara não me pagaria e que eu havia perdido 100 pesos (divida por 5 tudo o que eu disser no post e é o preço em reais atual). Também me perguntou o que é maturidade e eu respondi algumas coisas que achava que era, mas uma palavra que ele disse definiu muito melhor que tudo que havia dito.

Então agora compartilho com vocês o que acredito que seja a melhor definição de maturidade: sensibilidade.

Faz sentido, né? Foi aí que aprendi: nunca hable com nadie em la calle. Ou em bom português, não fale com ninguém na rua.

Com Luciano tive o desprazer de tomar um puta gole de uma pinga horrível depois de três anos sem beber uma gota de álcool sequer. Acontece que estávamos sentados na rua tocando e conversando e uma hora fiquei com sede e perguntei a ele se poderia tomar um gole de sua garrafinha, que na minha inocência, por ser transparente, era água. Então... não era. Estava com a boca super seca, então fui tomar aquele gole generoso, com a garganta bem aberta. Treco horrível! Passei mal e vomitei uma hora depois.

Ele me escutou a tocar e a cantar, gostou e me incentivou a tocar no metrô para levantar uma grana. Treinamos minha apresentação inicial, os horários que deveria ir e pronto, lá estava eu outro dia entrando no metrô falando enquanto tocava alguns acordes:

- Hola hola amigos argentinos! Yo me llamo Guillermo (aqui na Argentina me chamam assim, ou Guille, como seria Gui no Brasil – ll pronuncia-se como ch) y soy un viajero del Brasil! Viajo com mi musica y solamente viajo porque personas como vos me ayudan! Ahora voy empezar un tema de...

Imaginem só que comédia que foi! Uma experiência genial!

Pensei ser correto abrir um boletim de ocorrência a respeito do lance dos 100 pesos, pois sendo 20tão (reais) ou não, na Argentina vale muito e 20tão poderia me salvar em uma noite de emergência num hostel. Acontece que um dia depois que abri o B.O. encontrei o sujeito na rua, no mesmo lugar, mas tive a vantagem de não ser visto e assim liguei para a polícia:

- Olá! Meu nome é Guilherme, abri um B.O. ontem falando sobre um sujeito que me roubou 100 pesos assim, assim e assado.

Pronto, depois de 20 minutos a polícia chegou (com a central da polícia a uma quadra de onde estávamos), identificou o sujeito, me identificou e assim começaram a conversar com o meliante. Segundo os policiais aquilo não era um roubo! Pasme! Não, segundo eles na Argentina isso se trata de um “erro comercial”! O fato de o cara de rua não ter me devolvido 100 pesos somente seria solucionado com um advogado. O absurdo não parou por aí, escutei dois policiais conversando dizendo que tinham mais o que fazer, que sou um exagerado por chamar a polícia por causa disso e além do mais, o real tá valendo cinco vezes mais que o peso argentino. A questão pateticamente foi resolvida com um trato com o cavalheiro me prometendo que o troco estaria na mão na próxima semana, no mesmo dia, as 10hrs da manhã. A-HAM, óbvio que eu não fui. Tô lá pra marcar compromisso com bandido?! Sou muito novo pra acordar com a boca cheia de formiga por ser toupeira. Enfim, a lição do dia é que não se pode contar com a polícia argentina em qualquer situação. Para quem for a Buenos Aires por favor não se deixem levar pelas ladainhas deste fulano:

Não dá pra ver muuuito bem, mas é o careca que está sentado. Fica na Av. Santa Fé, próximo a plaza Itália


Conheci muitos brasileiros aqui também e juntos fizemos uma festa com os brothers da Califórnia. Abusei dos conhecimentos de barman e fiz caipirinhas diversas! Morango, limão, kiwi, além de combinações de frutas como kiwi e morango e limão e kiwi. Fiquem tranquilos amigos brasileiros, os californianos aprovaram as caipirinhas (ponto pro Brasil)!

Noite da caipirinha com brasileiros, americanos, argentinos e venezuelanos


O transporte de Buenos Aires é o melhor que conheci até agora. Há trens, ônibus, vans, metrôs e tudo é muito barato, chegando a ser tarifas irrisórias. Você paga proporcional até onde vai, mas o valor não passa de 4,50 pesos (com exceção as vans)! Já imaginou uma cidade onde o transporte funciona perfeitamente, os motoristas podem escutar rádio e a passagem não passa de 1 real? Então...

Segundo informações de amigos que vivem na cidade, há muitos ônibus e a passagem é barata porque cada linha é de um dono diferente. Como são muitas linhas, há muitos donos e creio que isso facilite a administração para que funcionem com abundância. Os ônibus sim são 24hrs e não é necessário esperar mais de 20 minutos na madrugada. Se tem algo que me chamou muita atenção, foi esse sistema de transporte.

Mas nem tudo é rosas, graças a falta de CDC (Código de Defesa do Consumidor) me ferrei algumas vezes na mão de algumas empresas.

Bem, depois de ter bebido depois de três anos sem beber nada (vomitado logo em seguida e ter concluído que não rola beber mais mesmo), andado de bicicleta, tocado no metrô, conversado com hippies, ser roubado, ter sido barman de festa para brazukas, ter chorado de emoção, ter sido zuado pela polícia, brincado de Conan e diversas outras aventuras, dei sequência a trip.

Os argentinos oprimem o botão
Estava pesquisando passagens para ir até o Uruguai porque acredita ser mais barato ir de ônibus, tendo uma viagem mais extensa e cansativa, porém mais econômica (depois descobri que ir de barco até a Colônia pela empresa BuqueBus é mais barato, mas tem que comprar o super econômico com pelo menos três dias de antecedência).

Se você está indo a Argentina, saiba que não se pode confiar em tudo que está escrito nos sites das empresas. Como disse, não há código de defesa do consumidor, o que dá margem para que as empresas façam como queiram se ausentando de qualquer culpa que possam ter. Tentei efetuar a compra no site da empresa um milhão de vezes e não consegui. Não havia número de telefone, não havia campo de contato, nada, somente o endereço. Estava a uns 8km do lugar e como estava de bike resolvi ir até lá para comprar pessoalmente. Cheguei a um estacionamento para deixar a bike, peguei o ticket com o carinha do caixa e fui ao banheiro. Um senhor entrou logo em seguida e a porta se fechou. Acontece que a porta não queria abrir mais e o amigo do caixa estava um pouco distante de onde estávamos.

Legal, preso num estacionamento com um senhor de 70 anos em outro país, oh! Jóia! O detalhe é que supostamente o horário de atendimento do lugar onde eu iria era até as 18hrs e era 17:20. O senhor batia na porta e gritava um monte, estava reclamando que tinha que ir a um lugar até as 18hrs também. Um tempo depois o rapaz chegou na porta e ele e o velho tentavam abrir a porta de tudo quanto é jeito, mas aquela porcaria não abria. Pedi ao senhor que deixasse eu tentar e vandalizei a porra toda. Quebrei o trinco e saí hahahahahahaha o senhor me agradeceu e o carinha do estaciona falou que só abriria assim mesmo, aí saí de lá me achando o Conan.

Cheguei as 17:55 e toquei a campainha, falei com a minha moça sobre a compra da passagem e... tá dáááá, aquela era uma empresa terceirizada que fazia dois anos que não vendia mais passagem pro Uruguai, mas que esqueceram de tirar do site. Porra, dois anos?! Enfim, andei 16km de bike, mas não foi a toa, afinal brinquei de Conan e ainda curti uns taxistas me chamando de “PELOTUDO” no trânsito da cidade portenha, nada a é atoa...

A série de acasos na minha vida tem gameshark, é infinita, porque a zuera não acabou aí. Descobri (com muito custo – e não pela internet) onde comprava a passagem pro Uruguai e nessa história sim pensei que ia ficar com hemorroida de tão puto que fiquei hahahahahahahahahahaha

Analisem a situação abaixo e procurem a lógica (e me avisem onde encontraram se é que vão achar):

Fui ao guichê comprar minha passagem e o homem disse que eu precisava passar no balcão de migrações pra “regularizar minha situação no país” porque na real eu tinha perdido a porcaria do papel que dão quando chegamos na Argentina. Fui nas migrações e eles disseram que eu precisava comprar a passagem primeiro. Que saco, né? Fui lá, falei o que haviam me dito e boa, venderam a passagem. Voltei no balcão de migrações, carimbaram e boa, Uruguai aí vou … not yet.

De noite voltei pro terminal pra pegar o busão rumo Uruguai e aí fui barrado. A mulher do balcão de migrações havia trocado a data da minha chegada de 12/10/2014 para 12/01/2014 o que significaria que eu estaria ilegal no país com mais de três meses no país. Com isso minha entrada no Uruguai seria barrada e eu ficaria com cara de merda na fronteira. O problema é que o balcão de migrações só funcionava até 20hrs e era 22hrs. Quebrei o pau infinitamente e depois de ter quebrado uma maçaneta podre de um banheiro tosco, tava me sentindo o Hulk pronto pra dar porrada nessa galera que sacaneia a viagem dos brothers. Enfim, de nada adiantou, mandaram me a merda e pediram pra voltar no dia seguinte para resolver o problema. Cagaram para o que eu disse sobre estar em outro país com compromissos marcados que poderiam comprometer dinheiro e blablablabla, fui bem dramático, mas não podiam fazer nada mesmo (ou eu atuei mal). Inventei até uma história que ia perder uma grana que iam me pagar pra tocar em um bar e que vivo disso e mesmo assim não deu boa! HAHAHAHAHA

Bem, no dia seguinte cheguei no guichê e disse que precisava comprar a passagem para o Uruguai e depois pegar o fucking carimbo no balcão de migrações. Eles disseram que eu precisava ir lá no tal balcão para pegar um documento e eu disse ao cara, de uma maneira pouco educada, que iria gravar a mulher falando que precisaria da passagem para depois ter o carimbo e expliquei toda a ladainha do dia anterior. Voltei ao balcão from hell e um rapaz educado me deu um documento e voltei para o guichê com cara de merda, porque o rapaz me disse que a senhora que estava no dia anterior havia cometido um erro.

Bem, com cara de merda ou não, eu estava indo feliz da vida pra Punta del Este/Uy.

Antes de ir é claro que minha vida polêmica preparou mais uma! Antes de sair da Argentina, comi pizza de 5 pesos com o Marco e peguei o táxi (sim, uma pizza inteira com suas 8 fatias por 40 pesos, 5 por fatia). Ao entrar no carro, o taxista sacou um cigarro e perguntou se eu fumava, disse a ele que não fumava esse, somente o cigarrinho verde, mas que não me incomodava se ele quisesse fumar. Quando disse isso, ele me perguntou se eu tinha o dito cigarrinho verde e eu disse que sim. Então ele bombasticamente propôs para fumarmos juntos! Perguntei a ele se teria problema fumar no táxi e ele disse que não dava nada. Perguntou se precisava armar o cigarrinho e respondi com um cachimbo na mão. Então como em uma cena daqueles filmes americanos de maconheiro tipo Cheech e Chong, eu e o taxista fomos em direção ao terminal fumando maconha no cachimbo. Hilário era ver ele falando com a fumaça presa: entonces es la primera vez que fumas com un taxista peruano? Cena que a gente conta pra todo mundo, né? Não é todo dia que acontece uma dessas. O figura me deu um desconto de 10 pesos pela brotheragem do fumo e assim segui para o Uruguai.

Continua no próximo capítulo...

O que você deve saber antes de entrar em Buenos Aires - parte 1


Dinheiro


Leve uma quantia em dólares para comprar pesos argentinos no câmbio paralelo porque as cotações são ótimas. Quem tem dólar na Argentina tem muita grana! Se você é pobre mão de vaca igual eu e não quer pagar táxi, saiba que os ônibus só aceitam moedas. Eu comprei 100 pesos argentinos no Brasil pra poder me virar um pouco em Buenos Aires pensando que compraria qualquer coisa e pegaria o troco em moedas para pagar o ônibus e quase me ferrei. Muitos estabelecimentos no aeroporto não trocam 100 pesos (quanta complicação né? Hahaha). Sorte que consegui trocar numa farmácia (onde estava escrito que não havia câmbio para 100 pesos).

Comprar pesos em casas de câmbio é coisa de gente do bem, gente bacana e gente que quer pegar menos dinheiro na troca, portanto se você se importa somente em ter mais grana (como eu), troque seus pesos em algum câmbio paralelo. Garçons são ótimos para fazer o câmbio paralelo porque no caso de alguma nota falsa, você sabe onde encontrá-lo.

Como tive uns problemas com minha conta antes de sair do Brasil, não pude levar mais dólares, mas aconselho a todos a levarem dólares! Existem pessoas que fazem câmbio paralelo que aceitam transferências bancárias para contas do Brasil, então não é necessário levar muito dinheiro em espécie também.

Transporte público


Nunca vi um transporte público tão robusto quanto o da cidade portenha. Os ônibus são 24hrs e existem muitos coletivos da mesma linha mesmo na madrugada. O preço chega a ser um absurdo de tão barato. As tarifas vão de ARG$ 1,20 a ARG$4,40 e assim que chegar é indispensável comprar um cartão de SUBE, que é o que você vai usar para todos os meios de transporte público. Interessante que este cartão pode ficar negativo até -10. Há também trens para cidades próximas como La Plata com preços muito acessíveis.

Argentina é barato? Vou gastar muito?


Depende muito do seu perfil, mas se você é super master econômico como eu, vai gastar pouco.  Se não pagar hostel e ficar em casa de pessoas de couch surfing, vai gastar ainda menos. Alguns valores interessantes:

Pizza mais barata que encontrei (fica em Recoleta): 5 pesos a fatia (pizza básica, mas gostosa)
Suco del Valle de maçã 1,5l: 12 pesos
Cinema do governo (que passa os mesmos filmes que no cinema): 6 a 8 pesos.
1 café + 3 medias lunas no McDonalds :17 pesos
Passagem de trem de Buenos Aires – La Plata: 6 pesos
Almoço indiano em um lugar top com entrada, prato principal, sobremesa e suco: 80 pesos


Importante ressaltar que na Argentina é costume deixar gorjeta, 10% de preferência! Diferente do Brasil onde a gorjeta vai para o bolso do patrão, essa gorjeta é dividida entre os funcionários, então acho bacana contribuir.

Mochila


Muito se fala do tamanho da mochila, o que levar para uma grande viagem e tudo mais. Sou exagerado e levei uma porrada de coisas das quais não me arrependo. Gosto de me vestir bem e pago o preço do cansaço para isso.

Conheci gente que viaja com o mesmo tanto que eu e reclama, com gente que viaja com mais e reclama, com gente que viaja com o mesmo tanto também e é tranquilo. Conheci gente até que viaja só com duas camisas, uma calça, barraca e saco e dormir e boa. Não ouso colocar aqui o que estou levando porque vão me zuar HAHAHAHAHAHA mas a melhor pessoa que vai te dizer o que é necessário é você mesmo.

No começo pensei que tinha sido vacilo ter levado o notebook, hoje dou graças por ter ele comigo.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Grandes amigos dos mochileiros!



Dentro de pouco mais de uma semana darei início a um mochilão pela América do Sul, utilizando pouca grana e muitas artimanhas. É difícil você encontrar um guia de como planejar um mochilão. Muita gente vai na louca, outros planejam muito e divulgam nada.

Este é o começo de uma série de relatos contando como um mochilão pode parecer muito mais próximo do que parece. Ao longo da minha pesquisa para montagem do roteiro, estava em busca de maneiras para economizar dinheiro com comida e hospedagem. Já havia encontrado muito hostel barato em várias cidades, como Buenos Aires, Montevideo, Punta del Este, e muitas outras.

Porém, ao longo da pesquisa me deparei com importantes redes sociais:


É uma rede social criada com o intuito de reunir facilidades como encontros para estrangeiros em uma cidade e principalmente, hospedagem de gringos! Não é necessário pagar, você apenas precisa criar um perfil e entrar em contato com as pessoas dispostas a hospedar.

Atenção! Tudo o que eu disser a respeito de criação de perfis aqui, deve ser seguido a risca para que você torne seu perfil confiável e atrativo.

Preencha seu perfil com o coração! Pense que muito mais do que uma encheção de saco de rede social, aquilo será seu passaporte para entrar na casa dos outros! Ninguém vai hospedagem alguém que não tenha a mínima ideia de quem é!

Se você é vegetariano, assim como eu, avise que é. Coloque fotos e procure explorar o melhor da autodescrição! Procure fugir das descrições clichês! Todo mundo é muito singular e tem várias particularidades! Procure uma particularidade que pode ser curiosa e explore-a ao máximo!

Quando for enviar convites para ficar na casa dos outros, procure dar uma boa introdução e mostrando que é bem intencionado. Não se coloca qualquer um em casa alguma em qualquer lugar do mundo! Portanto é importante abusar da boa elaboração. Caso não esteja seguro com o que produziu, peça uma segunda opinião.

Envie vários convites! Caso você queira ficar em Buenos Aires, envie uma porção deles! Uns 15 logo de cara e conforme for recebendo as aceitações, cancele as outras que não foram atendidas ainda dizendo que não será mais necessário e que agradece pela atenção, algo assim. A intenção aqui é dar boas dicas para ter um número confortável de aceitações, seja criativo.





A proposta do WWOOF é muito bacana! A ideia é trocar trabalho por comida e hospedagem. Você paga uma anuidade no valor aproximado de 40$ por país para poder negociar com os granjeiros a respeito do trabalho, da data, etc.

Existe uma lista com a descrição prévia de cada granja e também um muralzão falando da experiência dos WWOOFers em vários locais (mas eu achei um pouco bagunçado o da Argentina). É imprescindível ler as experiências e procurar saber sobre a granja para onde vai, pois existem relatos de pessoas que tiveram problemas com trabalhos pesados!

Acho que existe vantagem neste tipo de troca, mas depois que eu descobri o Helpx, eu passei a usar menos o WWOOF.

Para encontrar o WWOOF do país para onde deseja ir busque por WWOOF+nome da cidade para onde vai no google. Neste vídeo estão algumas recomendações:


Site principal que reúne os links dos WWOOF de todos países www.wwoof.net

Ao longo da minha busca por economia em meu mochilão, me deparei com um relato de uma mochileira a respeito do WWOOF e foi ela quem me aconselhou o Helpx. O nome dela é Lash e tem um site interessantíssimo! Com ótimas dicas de mochilão: http://www.lashworldtour.com/

O Helpx é basicamente como o WWOOF, troca de trabalho por comida/hospedagem, mas a diferença é justamente a organização.

Em primeiro lugar, no HelpX você paga uma taxa, aproximadamente no valor de $50 (não lembro direito, mas é só acessar o link no final da descrição), porém o valor pago serve para um conjunto de países! Por exemplo, eu vou mochilar pela América do Sul e lá tem a opção de eu pagar apenas esta quantia para vários países da América do Sul.

Outra vantagem do Helpx, é que é apenas um site e as referências constam direto na descrição de cada granja! Além do que as respostas são muito mais rápidas do que no WWOOF.

Além do que o Helpx não se limita a granjas! Vou trabalhar três semanas em um hostel em Valparaíso em troca de comida e hospedagem!

"Nowadays, I like HelpX much better than WWOOF! It's basically the same, but a different organization online. On HelpX I find the hosts reply about 80-90%. And they usually don't ask you to work too too much, like some WWOOF hosts do.

Also, HelpX is much cheaper! When you join, you get to see hosts in ALL countries around the world! With WWOOF, you have to join for each country! If you're going to many countries, it's expensive."
- Opinião da Lash via e-mail

Outro link interessante a respeito de como não se dar mal na escolha de um voluntariado e também durante ele! http://www.lashworldtour.com/2011/08/volunteering-gone-waaayyy-wrong-and-10-tips-to-avoid-a-bad-volunteer-experiences.html


Com estes amigos fica mais fácil viajar, né? Vou ficar em alguns lugares pelo CouchSurfing, alguns pelo WWOOF e alguns pelo Helpx e ao longo das aventuras vou relatando tudo o quanto for possível!