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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Intro - Mochilão

Para quem for acompanhar esta série de relatos, ressalto que é uma visão de um mochileiro de primeira viagem e que o intuito é compartilhar informações preciosas e que acredito que podem ser úteis a outras pessoas também. Aqui vou escrever parte das minhas aventuras e se você estiver mais interessado em infos de viagem, siga abaixo que vai encontrar um título chamariz.



Sei que este é o tipo de aventura que muita gente quer curtir então darei o meu melhor para passar todas as informações que consegui reunir para conseguir concretizá-la. Para quem está afim de ver fotos da viagem, em breve vou criar um instagram para publicá-las.

Senta que lá vem história


2014 começou pegando fogo pra mim. Muito estudo, muito foco, pouca diversão com apenas uma missão: passar num concurso público.

Depois de muito trabalho e jornadas intensas de estudo, passei no concurso da Caixa Econômica e fiquei em dúvida se continuava a estudar para um concurso melhor ou dava um break pra curtir um pouco depois de 1 ano estudando pra caralho, sem meias palavras. Saí do emprego que estava e passei a fazer freelas com o objetivo de fazer uma viagem para sair do país. Fazer o que? Sair do país! Nem eu sabia o que eu queria fazer direito, só sabia que queria curtir um pouco algum outro canto do mundo.

Na Copa peguei um freela de vendedor ambulante de cartõezinhos 3D da FIFA por dois pilas cada um, fora dos estádios. Tarefa difícil? Não para alguém que curte ser cara de pau, vulgo eu. Vendi para espanhóis, japoneses, uruguaios, equatorianos, americanos, canadenses, nigerianos, hondurenhos, argentinos e muitos outros. Falando inglês, espanhol, portunhol e tudo mais que eu conseguia usar para vender. Ajudava cambistas a vender em inglês e em espanhol e em troca disso eles compravam alguns cartõezinhos. Equatorianos vendiam ingressos para australianos e ambos compravam minha mercadoria porque eu havia lhes ajudado. Meus companheiros vendiam algo em torno de 50 em um dia, enquanto eu vendia 120, 130, quando não mais. Só aí tive noção do que estava perdendo. Se consigo me comunicar tranquilamente com outras pessoas de outros países, por que não visitá-los? Eu precisava mais daquela fonte inesgotável de interação internacional, eu precisava viver aquilo! Interagir com alguém que não é do seu país é algo incrível e infinitamente curioso!

Foi há seis meses que comecei a pesquisar sobre uma possível viagem para fora do país. Pensei em Nova Zelândia, países da Europa, Estados Unidos e pesquisei um bom bocado. Como pobre que sou, conclui:

- Cacete, que caro que é sair do país!

Tinha um programa de voluntariado na África que me cobrava R$ 5000 para passar uma semana trabalhando e sem ganhar comida, fora o custo das passagens. Fiquei um tanto chateado, mas segui com a pesquisa e comecei a olhar com outros olhos a possibilidade de ir a Argentina. Do dia para a noite passei a escutar o triplo de músicas em espanhol que escuto, passei a arriscar algumas versões em espanhol no violão, instalei aplicativos de aprendizado de línguas e comecei a mergulhar cada vez mais nesse mundo. Foi aí que conheci vários sites dos quais falei neste post. Então de uma simples viagem a Argentina, comecei a analisar a possibilidade de fazer um mochilão pela América do Sul.

Entrei no Interpals e comecei a falar com uma porrada de gente de tudo quanto é país, a fazer muitas novas amizades por todo o globo e pouco a pouco comecei a enviar solicitações e mais solicitações de couch surfing para todos os cantos por onde gostaria de passar. Minha vida era somente frazer freelas, planejar e interagir com pessoas de fora para que possivelmente pudessem me hospedar, tocar comigo, sair comigo ou qualquer outro tipo de interação.

Pouco a pouco fui retirando todos os valores de hostels do meu roteiro e a substituí-los por contatos de couch surfing, trabalhos com wooff/helpx em chácaras, hostels, etc. Assim transformei minha viagem de no máximo 20 dias ou 1 mês em um mochilão de pelo menos quatro meses.

Buenos Aires parte 1

Barzinhos, caipirinhas, amigos, polícia cretina, Johnny Cash no metrô, Conan do banheiro, taxista peruano doidão e demais aventuras


Separei meu post sobre Buenos Aires em dois porque fiquei uma semana lá, fui pro Uruguai e depois curti mais uma semana na cidade portenha com dois rolês bem distintos.

Finalmente dei início ao meu mochilão tendo como primeiro destino a belíssima Buenos Aires. Confesso que quando o piloto anunciou a chegada ao aeroporto de Ezeiza, lágrimas escorreram dos meus olhos. Numa fração de segundo lembrei da minha infância, das minhas lutas que começaram muito cedo e, enfim, pude sentir o poder da vitória. Só tive noção da precariedade da minha comunicação quando subi no ônibus rumo ao centro da cidade. Perguntei ao motorista se o ônibus iria para o centro e ele falou uma porrada de coisas que não entendi. Resolvi perguntar se ele poderia me avisar quando tivesse no centro da cidade e ele fez um joia, então pensei “beleza!”. Pouco mais de 40 minutos de viagem paramos em algum lugar que não tenho ideia de onde fica e ele disse que eu teria que pegar outro ônibus para ir até o centro. Se você é pobre lifestyle como eu, acostume-se a pedir muitas informações (ou pague um táxi falando castellano sem sotaque e pague um valor justo). Saí do ônibus perguntando para as pessoas como chegava ao centro e por fim consegui chegar.

Em geral as pessoas foram sempre muito amáveis e curiosamente pensavam que eu era de algum lugar da Europa, como França ou algo assim, qualquer lugar, menos Brasil. Concluí que deve ser porque sou branquelo e narigudo, além de, obviamente, ser descendente de europeus. Também porque acredito que “cara de brasileiro” não deve ter muito devido a miscigenação de raças que temos nas terras tupiniquins.

Cheguei à casa do italiano que me hospedou por quase uma semana e que passou a ser um dos meus melhores amigos, Marco, um cara incrível que viajou por mais de 40 países por 7 anos, que me ensinou a fazer um delicioso prato italiano e que deu bons rolês comigo, totalmente genial. Ao chegar em sua casa fui surpreendido por três americanos da Califórnia. Ryan, Rob e Christian, três engenheiros recém formados que estavam começando seu mochilão pela América do Sul também e, assim como eu, estavam aprendendo a falar castellano.

Eu, Marco (italiano), Ryan e Rob (californianos) em Bosques de Palermo

Passei uma semana maravilhosa e me surpreendi com muitas diferenças que temos com os hermanos mesmo vivendo tão perto. Como os argentinos comem doce, meu Deus! No começo me ferrei um pouco pra encontrar lugares que vendiam coisas que eu comia, porque a maioria dos salgados tem presunto e é menos comum encontrar algo só com queijo. Andei muito de bicicleta por Palermo, Recoleta e também conheci a província Vicente López. Há um bar chamado La dama de Bollini (Bollini 2281) em Palermo onde a entrada é 25 pesos onde além do clima ser ótimo, a música é rock n roll de primeira linha. Fiquei surpreso também ao descobrir que em bares não tem água com gás em garrafas de plástico, infelizmente somente de vidro. Mais tarde descobri também que, falando em água, todas as casas da Argentina e Uruguai tem uma torneira para água quente e outra para água fria, além da grande maioria ter banheira.

Um dia fui dar uma volta de bike na Av. Sta Fé, uma das principais avenidas da cidade (senão a mais importante) e encontrei um hippie vendendo artesanatos. Começamos a conversar, sentei com ele na rua e toquei algumas músicas, pois estava com meu violão. Seu nome é Luciano e o de sua esposa é Gabriela, vendem artesanatos juntos já tem um bom tempo. Depois de um tempo conversando com ele, chegou um outro ser que dizia estar vendendo cartões transporte. É indispensável ter um destes, visto que é usado para ônibus, trem e metrô em Buenos Aires e regiões próximas.

COMO NÃO AGIR FEITO UM IDIOTA – ÓBVIO, PORÉM NECESSÁRIO


O cara disse que o preço era 20 pesos e na frente dele abri minha carteira (idiota parte 1), mas como recém havia feito o câmbio, estava sem notas menores e disse a ele que havia somente 100 (idiota parte 2). Ele disse que não havia problema, que iria buscar o troco com um amigo e eu (super idiota parte 3) entreguei o dinheiro e ele me entregou o cartão. Assim que saiu, Luciano me deu um baita esporro dizendo que sou inocente demais por confiar em malandro e que o cara não me pagaria e que eu havia perdido 100 pesos (divida por 5 tudo o que eu disser no post e é o preço em reais atual). Também me perguntou o que é maturidade e eu respondi algumas coisas que achava que era, mas uma palavra que ele disse definiu muito melhor que tudo que havia dito.

Então agora compartilho com vocês o que acredito que seja a melhor definição de maturidade: sensibilidade.

Faz sentido, né? Foi aí que aprendi: nunca hable com nadie em la calle. Ou em bom português, não fale com ninguém na rua.

Com Luciano tive o desprazer de tomar um puta gole de uma pinga horrível depois de três anos sem beber uma gota de álcool sequer. Acontece que estávamos sentados na rua tocando e conversando e uma hora fiquei com sede e perguntei a ele se poderia tomar um gole de sua garrafinha, que na minha inocência, por ser transparente, era água. Então... não era. Estava com a boca super seca, então fui tomar aquele gole generoso, com a garganta bem aberta. Treco horrível! Passei mal e vomitei uma hora depois.

Ele me escutou a tocar e a cantar, gostou e me incentivou a tocar no metrô para levantar uma grana. Treinamos minha apresentação inicial, os horários que deveria ir e pronto, lá estava eu outro dia entrando no metrô falando enquanto tocava alguns acordes:

- Hola hola amigos argentinos! Yo me llamo Guillermo (aqui na Argentina me chamam assim, ou Guille, como seria Gui no Brasil – ll pronuncia-se como ch) y soy un viajero del Brasil! Viajo com mi musica y solamente viajo porque personas como vos me ayudan! Ahora voy empezar un tema de...

Imaginem só que comédia que foi! Uma experiência genial!

Pensei ser correto abrir um boletim de ocorrência a respeito do lance dos 100 pesos, pois sendo 20tão (reais) ou não, na Argentina vale muito e 20tão poderia me salvar em uma noite de emergência num hostel. Acontece que um dia depois que abri o B.O. encontrei o sujeito na rua, no mesmo lugar, mas tive a vantagem de não ser visto e assim liguei para a polícia:

- Olá! Meu nome é Guilherme, abri um B.O. ontem falando sobre um sujeito que me roubou 100 pesos assim, assim e assado.

Pronto, depois de 20 minutos a polícia chegou (com a central da polícia a uma quadra de onde estávamos), identificou o sujeito, me identificou e assim começaram a conversar com o meliante. Segundo os policiais aquilo não era um roubo! Pasme! Não, segundo eles na Argentina isso se trata de um “erro comercial”! O fato de o cara de rua não ter me devolvido 100 pesos somente seria solucionado com um advogado. O absurdo não parou por aí, escutei dois policiais conversando dizendo que tinham mais o que fazer, que sou um exagerado por chamar a polícia por causa disso e além do mais, o real tá valendo cinco vezes mais que o peso argentino. A questão pateticamente foi resolvida com um trato com o cavalheiro me prometendo que o troco estaria na mão na próxima semana, no mesmo dia, as 10hrs da manhã. A-HAM, óbvio que eu não fui. Tô lá pra marcar compromisso com bandido?! Sou muito novo pra acordar com a boca cheia de formiga por ser toupeira. Enfim, a lição do dia é que não se pode contar com a polícia argentina em qualquer situação. Para quem for a Buenos Aires por favor não se deixem levar pelas ladainhas deste fulano:

Não dá pra ver muuuito bem, mas é o careca que está sentado. Fica na Av. Santa Fé, próximo a plaza Itália


Conheci muitos brasileiros aqui também e juntos fizemos uma festa com os brothers da Califórnia. Abusei dos conhecimentos de barman e fiz caipirinhas diversas! Morango, limão, kiwi, além de combinações de frutas como kiwi e morango e limão e kiwi. Fiquem tranquilos amigos brasileiros, os californianos aprovaram as caipirinhas (ponto pro Brasil)!

Noite da caipirinha com brasileiros, americanos, argentinos e venezuelanos


O transporte de Buenos Aires é o melhor que conheci até agora. Há trens, ônibus, vans, metrôs e tudo é muito barato, chegando a ser tarifas irrisórias. Você paga proporcional até onde vai, mas o valor não passa de 4,50 pesos (com exceção as vans)! Já imaginou uma cidade onde o transporte funciona perfeitamente, os motoristas podem escutar rádio e a passagem não passa de 1 real? Então...

Segundo informações de amigos que vivem na cidade, há muitos ônibus e a passagem é barata porque cada linha é de um dono diferente. Como são muitas linhas, há muitos donos e creio que isso facilite a administração para que funcionem com abundância. Os ônibus sim são 24hrs e não é necessário esperar mais de 20 minutos na madrugada. Se tem algo que me chamou muita atenção, foi esse sistema de transporte.

Mas nem tudo é rosas, graças a falta de CDC (Código de Defesa do Consumidor) me ferrei algumas vezes na mão de algumas empresas.

Bem, depois de ter bebido depois de três anos sem beber nada (vomitado logo em seguida e ter concluído que não rola beber mais mesmo), andado de bicicleta, tocado no metrô, conversado com hippies, ser roubado, ter sido barman de festa para brazukas, ter chorado de emoção, ter sido zuado pela polícia, brincado de Conan e diversas outras aventuras, dei sequência a trip.

Os argentinos oprimem o botão
Estava pesquisando passagens para ir até o Uruguai porque acredita ser mais barato ir de ônibus, tendo uma viagem mais extensa e cansativa, porém mais econômica (depois descobri que ir de barco até a Colônia pela empresa BuqueBus é mais barato, mas tem que comprar o super econômico com pelo menos três dias de antecedência).

Se você está indo a Argentina, saiba que não se pode confiar em tudo que está escrito nos sites das empresas. Como disse, não há código de defesa do consumidor, o que dá margem para que as empresas façam como queiram se ausentando de qualquer culpa que possam ter. Tentei efetuar a compra no site da empresa um milhão de vezes e não consegui. Não havia número de telefone, não havia campo de contato, nada, somente o endereço. Estava a uns 8km do lugar e como estava de bike resolvi ir até lá para comprar pessoalmente. Cheguei a um estacionamento para deixar a bike, peguei o ticket com o carinha do caixa e fui ao banheiro. Um senhor entrou logo em seguida e a porta se fechou. Acontece que a porta não queria abrir mais e o amigo do caixa estava um pouco distante de onde estávamos.

Legal, preso num estacionamento com um senhor de 70 anos em outro país, oh! Jóia! O detalhe é que supostamente o horário de atendimento do lugar onde eu iria era até as 18hrs e era 17:20. O senhor batia na porta e gritava um monte, estava reclamando que tinha que ir a um lugar até as 18hrs também. Um tempo depois o rapaz chegou na porta e ele e o velho tentavam abrir a porta de tudo quanto é jeito, mas aquela porcaria não abria. Pedi ao senhor que deixasse eu tentar e vandalizei a porra toda. Quebrei o trinco e saí hahahahahahaha o senhor me agradeceu e o carinha do estaciona falou que só abriria assim mesmo, aí saí de lá me achando o Conan.

Cheguei as 17:55 e toquei a campainha, falei com a minha moça sobre a compra da passagem e... tá dáááá, aquela era uma empresa terceirizada que fazia dois anos que não vendia mais passagem pro Uruguai, mas que esqueceram de tirar do site. Porra, dois anos?! Enfim, andei 16km de bike, mas não foi a toa, afinal brinquei de Conan e ainda curti uns taxistas me chamando de “PELOTUDO” no trânsito da cidade portenha, nada a é atoa...

A série de acasos na minha vida tem gameshark, é infinita, porque a zuera não acabou aí. Descobri (com muito custo – e não pela internet) onde comprava a passagem pro Uruguai e nessa história sim pensei que ia ficar com hemorroida de tão puto que fiquei hahahahahahahahahahaha

Analisem a situação abaixo e procurem a lógica (e me avisem onde encontraram se é que vão achar):

Fui ao guichê comprar minha passagem e o homem disse que eu precisava passar no balcão de migrações pra “regularizar minha situação no país” porque na real eu tinha perdido a porcaria do papel que dão quando chegamos na Argentina. Fui nas migrações e eles disseram que eu precisava comprar a passagem primeiro. Que saco, né? Fui lá, falei o que haviam me dito e boa, venderam a passagem. Voltei no balcão de migrações, carimbaram e boa, Uruguai aí vou … not yet.

De noite voltei pro terminal pra pegar o busão rumo Uruguai e aí fui barrado. A mulher do balcão de migrações havia trocado a data da minha chegada de 12/10/2014 para 12/01/2014 o que significaria que eu estaria ilegal no país com mais de três meses no país. Com isso minha entrada no Uruguai seria barrada e eu ficaria com cara de merda na fronteira. O problema é que o balcão de migrações só funcionava até 20hrs e era 22hrs. Quebrei o pau infinitamente e depois de ter quebrado uma maçaneta podre de um banheiro tosco, tava me sentindo o Hulk pronto pra dar porrada nessa galera que sacaneia a viagem dos brothers. Enfim, de nada adiantou, mandaram me a merda e pediram pra voltar no dia seguinte para resolver o problema. Cagaram para o que eu disse sobre estar em outro país com compromissos marcados que poderiam comprometer dinheiro e blablablabla, fui bem dramático, mas não podiam fazer nada mesmo (ou eu atuei mal). Inventei até uma história que ia perder uma grana que iam me pagar pra tocar em um bar e que vivo disso e mesmo assim não deu boa! HAHAHAHAHA

Bem, no dia seguinte cheguei no guichê e disse que precisava comprar a passagem para o Uruguai e depois pegar o fucking carimbo no balcão de migrações. Eles disseram que eu precisava ir lá no tal balcão para pegar um documento e eu disse ao cara, de uma maneira pouco educada, que iria gravar a mulher falando que precisaria da passagem para depois ter o carimbo e expliquei toda a ladainha do dia anterior. Voltei ao balcão from hell e um rapaz educado me deu um documento e voltei para o guichê com cara de merda, porque o rapaz me disse que a senhora que estava no dia anterior havia cometido um erro.

Bem, com cara de merda ou não, eu estava indo feliz da vida pra Punta del Este/Uy.

Antes de ir é claro que minha vida polêmica preparou mais uma! Antes de sair da Argentina, comi pizza de 5 pesos com o Marco e peguei o táxi (sim, uma pizza inteira com suas 8 fatias por 40 pesos, 5 por fatia). Ao entrar no carro, o taxista sacou um cigarro e perguntou se eu fumava, disse a ele que não fumava esse, somente o cigarrinho verde, mas que não me incomodava se ele quisesse fumar. Quando disse isso, ele me perguntou se eu tinha o dito cigarrinho verde e eu disse que sim. Então ele bombasticamente propôs para fumarmos juntos! Perguntei a ele se teria problema fumar no táxi e ele disse que não dava nada. Perguntou se precisava armar o cigarrinho e respondi com um cachimbo na mão. Então como em uma cena daqueles filmes americanos de maconheiro tipo Cheech e Chong, eu e o taxista fomos em direção ao terminal fumando maconha no cachimbo. Hilário era ver ele falando com a fumaça presa: entonces es la primera vez que fumas com un taxista peruano? Cena que a gente conta pra todo mundo, né? Não é todo dia que acontece uma dessas. O figura me deu um desconto de 10 pesos pela brotheragem do fumo e assim segui para o Uruguai.

Continua no próximo capítulo...

O que você deve saber antes de entrar em Buenos Aires - parte 1


Dinheiro


Leve uma quantia em dólares para comprar pesos argentinos no câmbio paralelo porque as cotações são ótimas. Quem tem dólar na Argentina tem muita grana! Se você é pobre mão de vaca igual eu e não quer pagar táxi, saiba que os ônibus só aceitam moedas. Eu comprei 100 pesos argentinos no Brasil pra poder me virar um pouco em Buenos Aires pensando que compraria qualquer coisa e pegaria o troco em moedas para pagar o ônibus e quase me ferrei. Muitos estabelecimentos no aeroporto não trocam 100 pesos (quanta complicação né? Hahaha). Sorte que consegui trocar numa farmácia (onde estava escrito que não havia câmbio para 100 pesos).

Comprar pesos em casas de câmbio é coisa de gente do bem, gente bacana e gente que quer pegar menos dinheiro na troca, portanto se você se importa somente em ter mais grana (como eu), troque seus pesos em algum câmbio paralelo. Garçons são ótimos para fazer o câmbio paralelo porque no caso de alguma nota falsa, você sabe onde encontrá-lo.

Como tive uns problemas com minha conta antes de sair do Brasil, não pude levar mais dólares, mas aconselho a todos a levarem dólares! Existem pessoas que fazem câmbio paralelo que aceitam transferências bancárias para contas do Brasil, então não é necessário levar muito dinheiro em espécie também.

Transporte público


Nunca vi um transporte público tão robusto quanto o da cidade portenha. Os ônibus são 24hrs e existem muitos coletivos da mesma linha mesmo na madrugada. O preço chega a ser um absurdo de tão barato. As tarifas vão de ARG$ 1,20 a ARG$4,40 e assim que chegar é indispensável comprar um cartão de SUBE, que é o que você vai usar para todos os meios de transporte público. Interessante que este cartão pode ficar negativo até -10. Há também trens para cidades próximas como La Plata com preços muito acessíveis.

Argentina é barato? Vou gastar muito?


Depende muito do seu perfil, mas se você é super master econômico como eu, vai gastar pouco.  Se não pagar hostel e ficar em casa de pessoas de couch surfing, vai gastar ainda menos. Alguns valores interessantes:

Pizza mais barata que encontrei (fica em Recoleta): 5 pesos a fatia (pizza básica, mas gostosa)
Suco del Valle de maçã 1,5l: 12 pesos
Cinema do governo (que passa os mesmos filmes que no cinema): 6 a 8 pesos.
1 café + 3 medias lunas no McDonalds :17 pesos
Passagem de trem de Buenos Aires – La Plata: 6 pesos
Almoço indiano em um lugar top com entrada, prato principal, sobremesa e suco: 80 pesos


Importante ressaltar que na Argentina é costume deixar gorjeta, 10% de preferência! Diferente do Brasil onde a gorjeta vai para o bolso do patrão, essa gorjeta é dividida entre os funcionários, então acho bacana contribuir.

Mochila


Muito se fala do tamanho da mochila, o que levar para uma grande viagem e tudo mais. Sou exagerado e levei uma porrada de coisas das quais não me arrependo. Gosto de me vestir bem e pago o preço do cansaço para isso.

Conheci gente que viaja com o mesmo tanto que eu e reclama, com gente que viaja com mais e reclama, com gente que viaja com o mesmo tanto também e é tranquilo. Conheci gente até que viaja só com duas camisas, uma calça, barraca e saco e dormir e boa. Não ouso colocar aqui o que estou levando porque vão me zuar HAHAHAHAHAHA mas a melhor pessoa que vai te dizer o que é necessário é você mesmo.

No começo pensei que tinha sido vacilo ter levado o notebook, hoje dou graças por ter ele comigo.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Grandes amigos dos mochileiros!



Dentro de pouco mais de uma semana darei início a um mochilão pela América do Sul, utilizando pouca grana e muitas artimanhas. É difícil você encontrar um guia de como planejar um mochilão. Muita gente vai na louca, outros planejam muito e divulgam nada.

Este é o começo de uma série de relatos contando como um mochilão pode parecer muito mais próximo do que parece. Ao longo da minha pesquisa para montagem do roteiro, estava em busca de maneiras para economizar dinheiro com comida e hospedagem. Já havia encontrado muito hostel barato em várias cidades, como Buenos Aires, Montevideo, Punta del Este, e muitas outras.

Porém, ao longo da pesquisa me deparei com importantes redes sociais:


É uma rede social criada com o intuito de reunir facilidades como encontros para estrangeiros em uma cidade e principalmente, hospedagem de gringos! Não é necessário pagar, você apenas precisa criar um perfil e entrar em contato com as pessoas dispostas a hospedar.

Atenção! Tudo o que eu disser a respeito de criação de perfis aqui, deve ser seguido a risca para que você torne seu perfil confiável e atrativo.

Preencha seu perfil com o coração! Pense que muito mais do que uma encheção de saco de rede social, aquilo será seu passaporte para entrar na casa dos outros! Ninguém vai hospedagem alguém que não tenha a mínima ideia de quem é!

Se você é vegetariano, assim como eu, avise que é. Coloque fotos e procure explorar o melhor da autodescrição! Procure fugir das descrições clichês! Todo mundo é muito singular e tem várias particularidades! Procure uma particularidade que pode ser curiosa e explore-a ao máximo!

Quando for enviar convites para ficar na casa dos outros, procure dar uma boa introdução e mostrando que é bem intencionado. Não se coloca qualquer um em casa alguma em qualquer lugar do mundo! Portanto é importante abusar da boa elaboração. Caso não esteja seguro com o que produziu, peça uma segunda opinião.

Envie vários convites! Caso você queira ficar em Buenos Aires, envie uma porção deles! Uns 15 logo de cara e conforme for recebendo as aceitações, cancele as outras que não foram atendidas ainda dizendo que não será mais necessário e que agradece pela atenção, algo assim. A intenção aqui é dar boas dicas para ter um número confortável de aceitações, seja criativo.





A proposta do WWOOF é muito bacana! A ideia é trocar trabalho por comida e hospedagem. Você paga uma anuidade no valor aproximado de 40$ por país para poder negociar com os granjeiros a respeito do trabalho, da data, etc.

Existe uma lista com a descrição prévia de cada granja e também um muralzão falando da experiência dos WWOOFers em vários locais (mas eu achei um pouco bagunçado o da Argentina). É imprescindível ler as experiências e procurar saber sobre a granja para onde vai, pois existem relatos de pessoas que tiveram problemas com trabalhos pesados!

Acho que existe vantagem neste tipo de troca, mas depois que eu descobri o Helpx, eu passei a usar menos o WWOOF.

Para encontrar o WWOOF do país para onde deseja ir busque por WWOOF+nome da cidade para onde vai no google. Neste vídeo estão algumas recomendações:


Site principal que reúne os links dos WWOOF de todos países www.wwoof.net

Ao longo da minha busca por economia em meu mochilão, me deparei com um relato de uma mochileira a respeito do WWOOF e foi ela quem me aconselhou o Helpx. O nome dela é Lash e tem um site interessantíssimo! Com ótimas dicas de mochilão: http://www.lashworldtour.com/

O Helpx é basicamente como o WWOOF, troca de trabalho por comida/hospedagem, mas a diferença é justamente a organização.

Em primeiro lugar, no HelpX você paga uma taxa, aproximadamente no valor de $50 (não lembro direito, mas é só acessar o link no final da descrição), porém o valor pago serve para um conjunto de países! Por exemplo, eu vou mochilar pela América do Sul e lá tem a opção de eu pagar apenas esta quantia para vários países da América do Sul.

Outra vantagem do Helpx, é que é apenas um site e as referências constam direto na descrição de cada granja! Além do que as respostas são muito mais rápidas do que no WWOOF.

Além do que o Helpx não se limita a granjas! Vou trabalhar três semanas em um hostel em Valparaíso em troca de comida e hospedagem!

"Nowadays, I like HelpX much better than WWOOF! It's basically the same, but a different organization online. On HelpX I find the hosts reply about 80-90%. And they usually don't ask you to work too too much, like some WWOOF hosts do.

Also, HelpX is much cheaper! When you join, you get to see hosts in ALL countries around the world! With WWOOF, you have to join for each country! If you're going to many countries, it's expensive."
- Opinião da Lash via e-mail

Outro link interessante a respeito de como não se dar mal na escolha de um voluntariado e também durante ele! http://www.lashworldtour.com/2011/08/volunteering-gone-waaayyy-wrong-and-10-tips-to-avoid-a-bad-volunteer-experiences.html


Com estes amigos fica mais fácil viajar, né? Vou ficar em alguns lugares pelo CouchSurfing, alguns pelo WWOOF e alguns pelo Helpx e ao longo das aventuras vou relatando tudo o quanto for possível!