Para quem for acompanhar
esta série de relatos, ressalto que é uma visão de um mochileiro
de primeira viagem e que o intuito é compartilhar informações
preciosas e que acredito que podem ser úteis a outras pessoas
também. Aqui vou escrever parte das minhas aventuras e se você
estiver mais interessado em infos de viagem, siga abaixo que vai
encontrar um título chamariz.
Sei que este é o tipo
de aventura que muita gente quer curtir então darei o meu melhor
para passar todas as informações que consegui reunir para conseguir
concretizá-la. Para quem está afim de ver fotos da viagem, em breve vou criar um instagram para publicá-las.
Senta que lá vem história
2014 começou pegando
fogo pra mim. Muito estudo, muito foco, pouca diversão com apenas
uma missão: passar num concurso público.
Depois de muito trabalho
e jornadas intensas de estudo, passei no concurso da Caixa Econômica
e fiquei em dúvida se continuava a estudar para um concurso melhor
ou dava um break pra curtir um pouco depois de 1 ano estudando pra
caralho, sem meias palavras. Saí do emprego que estava e passei a
fazer freelas com o objetivo de fazer uma viagem para sair do país.
Fazer o que? Sair do país! Nem eu sabia o que eu queria fazer
direito, só sabia que queria curtir um pouco algum outro canto do
mundo.
Na Copa peguei um freela
de vendedor ambulante de cartõezinhos 3D da FIFA por dois pilas cada
um, fora dos estádios. Tarefa difícil? Não para alguém que curte
ser cara de pau, vulgo eu. Vendi para espanhóis, japoneses,
uruguaios, equatorianos, americanos, canadenses, nigerianos,
hondurenhos, argentinos e muitos outros. Falando inglês, espanhol,
portunhol e tudo mais que eu conseguia usar para vender. Ajudava
cambistas a vender em inglês e em espanhol e em troca disso eles
compravam alguns cartõezinhos. Equatorianos vendiam ingressos para
australianos e ambos compravam minha mercadoria porque eu havia lhes
ajudado. Meus companheiros vendiam algo em torno de 50 em um dia, enquanto eu
vendia 120, 130, quando não mais. Só aí tive noção do que estava
perdendo. Se consigo me comunicar tranquilamente com outras pessoas
de outros países, por que não visitá-los? Eu precisava mais
daquela fonte inesgotável de interação internacional, eu precisava
viver aquilo! Interagir com alguém que não é do seu país é algo
incrível e infinitamente curioso!
Foi há seis meses que
comecei a pesquisar sobre uma possível viagem para fora do país.
Pensei em Nova Zelândia, países da Europa, Estados Unidos e
pesquisei um bom bocado. Como pobre que sou, conclui:
- Cacete, que caro que é
sair do país!
Tinha um programa de
voluntariado na África que me cobrava R$ 5000 para passar uma semana
trabalhando e sem ganhar comida, fora o custo das passagens. Fiquei
um tanto chateado, mas segui com a pesquisa e comecei a olhar com
outros olhos a possibilidade de ir a Argentina. Do dia para a noite
passei a escutar o triplo de músicas em espanhol que escuto, passei
a arriscar algumas versões em espanhol no violão, instalei
aplicativos de aprendizado de línguas e comecei a mergulhar cada vez
mais nesse mundo. Foi aí que conheci vários sites dos quais falei
neste post.
Então de uma simples viagem a Argentina, comecei a analisar a
possibilidade de fazer um mochilão pela América do Sul.
Entrei
no Interpals e comecei a falar com uma porrada de gente de tudo
quanto é país, a fazer muitas novas amizades por todo o globo e
pouco a pouco comecei a enviar solicitações e mais solicitações
de couch surfing para todos os cantos por onde gostaria de passar.
Minha vida
era somente frazer freelas, planejar e interagir com pessoas de fora
para que possivelmente pudessem me hospedar, tocar comigo, sair
comigo ou qualquer
outro
tipo de interação.
Pouco
a pouco fui retirando todos os valores de hostels do meu roteiro e a
substituí-los por contatos de couch surfing, trabalhos com
wooff/helpx em
chácaras, hostels, etc.
Assim transformei minha viagem de no máximo 20 dias ou 1 mês em um
mochilão de pelo menos quatro meses.
Buenos Aires parte 1
Barzinhos, caipirinhas, amigos, polícia cretina, Johnny Cash no metrô, Conan do banheiro, taxista peruano doidão e demais aventuras
Separei meu post sobre
Buenos Aires em dois porque fiquei uma semana lá, fui pro Uruguai e
depois curti mais uma semana na cidade portenha com dois rolês bem
distintos.
Finalmente dei início
ao meu mochilão tendo como primeiro destino a belíssima Buenos
Aires. Confesso que quando o piloto anunciou a chegada ao aeroporto
de Ezeiza, lágrimas escorreram dos meus olhos. Numa fração de
segundo lembrei da minha infância, das minhas lutas que começaram
muito cedo e, enfim, pude sentir o poder da vitória. Só tive noção
da precariedade da minha comunicação quando subi no ônibus rumo ao
centro da cidade. Perguntei ao motorista se o ônibus iria para o
centro e ele falou uma porrada de coisas que não entendi. Resolvi
perguntar se ele poderia me avisar quando tivesse no centro da cidade
e ele fez um joia, então pensei “beleza!”. Pouco mais de 40
minutos de viagem paramos em algum lugar que não tenho ideia de onde
fica e ele disse que eu teria que pegar outro ônibus para ir até o
centro. Se você é pobre lifestyle como eu, acostume-se a pedir
muitas informações (ou pague um táxi falando castellano sem sotaque e pague um valor justo). Saí do ônibus perguntando para as
pessoas como chegava ao centro e por fim consegui chegar.
Em geral as pessoas
foram sempre muito amáveis e curiosamente pensavam que eu era de
algum lugar da Europa, como França ou algo assim, qualquer lugar,
menos Brasil. Concluí que deve ser porque sou branquelo e narigudo,
além de, obviamente, ser descendente de europeus. Também porque
acredito que “cara de brasileiro” não deve ter muito devido a
miscigenação de raças que temos nas terras tupiniquins.
Cheguei à casa do
italiano que me hospedou por quase uma semana e que passou a ser um
dos meus melhores amigos, Marco, um cara incrível que viajou por
mais de 40 países por 7 anos, que me ensinou a fazer um delicioso
prato italiano e que deu bons rolês comigo, totalmente genial. Ao
chegar em sua casa fui surpreendido por três americanos da
Califórnia. Ryan, Rob e Christian, três engenheiros recém formados que estavam começando seu mochilão pela América do Sul também e,
assim como eu, estavam aprendendo a falar castellano.
![]() |
| Eu, Marco (italiano), Ryan e Rob (californianos) em Bosques de Palermo |
Passei uma semana
maravilhosa e me surpreendi com muitas diferenças que temos com os
hermanos mesmo vivendo tão perto. Como os argentinos comem doce, meu
Deus! No começo me ferrei um pouco pra encontrar lugares que vendiam
coisas que eu comia, porque a maioria dos salgados tem presunto e é
menos comum encontrar algo só com queijo. Andei muito de bicicleta
por Palermo, Recoleta e também conheci a província Vicente López.
Há um bar chamado La dama de Bollini (Bollini 2281) em Palermo onde
a entrada é 25 pesos onde além do clima ser ótimo, a música é rock
n roll de primeira linha. Fiquei surpreso também ao descobrir que em
bares não tem água com gás em garrafas de plástico, infelizmente
somente de vidro. Mais tarde descobri também que, falando em água,
todas as casas da Argentina e Uruguai tem uma torneira para água
quente e outra para água fria, além da grande maioria ter banheira.
Um dia fui dar uma volta
de bike na Av. Sta Fé, uma das principais avenidas da cidade (senão
a mais importante) e encontrei um hippie vendendo artesanatos.
Começamos a conversar, sentei com ele na rua e toquei algumas
músicas, pois estava com meu violão. Seu nome é Luciano e o de
sua esposa é Gabriela, vendem artesanatos juntos já tem um bom
tempo. Depois de um tempo conversando com ele, chegou um outro ser
que dizia estar vendendo cartões transporte. É indispensável ter
um destes, visto que é usado para ônibus, trem e metrô em Buenos
Aires e regiões próximas.
COMO NÃO AGIR FEITO UM IDIOTA – ÓBVIO, PORÉM NECESSÁRIO
O cara disse que o preço
era 20 pesos e na frente dele abri minha carteira (idiota parte 1),
mas como recém havia feito o câmbio, estava sem notas menores e
disse a ele que havia somente 100 (idiota parte 2). Ele disse que não
havia problema, que iria buscar o troco com um amigo e eu (super
idiota parte 3) entreguei o dinheiro e ele me entregou o cartão.
Assim que saiu, Luciano me deu um baita esporro dizendo que sou
inocente demais por confiar em malandro e que o cara não me pagaria e que eu havia perdido 100 pesos (divida por 5 tudo o que eu
disser no post e é o preço em reais atual). Também me perguntou o
que é maturidade e eu respondi algumas coisas que achava que era,
mas uma palavra que ele disse definiu muito melhor que tudo que havia
dito.
Então agora compartilho
com vocês o que acredito que seja a melhor definição de
maturidade: sensibilidade.
Faz sentido, né? Foi aí
que aprendi: nunca hable com nadie em la calle. Ou em bom português,
não fale com ninguém na rua.
Com Luciano tive o
desprazer de tomar um puta gole de uma pinga horrível depois de três
anos sem beber uma gota de álcool sequer. Acontece que estávamos
sentados na rua tocando e conversando e uma hora fiquei com sede e
perguntei a ele se poderia tomar um gole de sua garrafinha, que na
minha inocência, por ser transparente, era água. Então... não
era. Estava com a boca super seca, então fui tomar aquele gole
generoso, com a garganta bem aberta. Treco horrível! Passei mal e
vomitei uma hora depois.
Ele me escutou a tocar e
a cantar, gostou e me incentivou a tocar no metrô para levantar uma
grana. Treinamos minha apresentação inicial, os horários que
deveria ir e pronto, lá estava eu outro dia entrando no metrô
falando enquanto tocava alguns acordes:
- Hola hola amigos
argentinos! Yo me llamo Guillermo (aqui na Argentina me chamam assim,
ou Guille, como seria Gui no Brasil – ll pronuncia-se como ch) y
soy un viajero del Brasil! Viajo com mi musica y solamente viajo
porque personas como vos me ayudan! Ahora voy empezar un tema de...
Imaginem só que comédia
que foi! Uma experiência genial!
Pensei ser correto abrir
um boletim de ocorrência a respeito do lance dos 100 pesos, pois
sendo 20tão (reais) ou não, na Argentina vale muito e 20tão
poderia me salvar em uma noite de emergência num hostel. Acontece
que um dia depois que abri o B.O. encontrei o sujeito na rua, no
mesmo lugar, mas tive a vantagem de não ser visto e assim liguei
para a polícia:
- Olá! Meu nome é
Guilherme, abri um B.O. ontem falando sobre um sujeito que me roubou
100 pesos assim, assim e assado.
Pronto, depois de 20
minutos a polícia chegou (com a central da polícia a uma quadra
de onde estávamos), identificou o sujeito, me identificou e assim começaram a
conversar com o meliante. Segundo os policiais aquilo não era um
roubo! Pasme! Não, segundo eles na Argentina isso se trata de um
“erro comercial”! O fato de o cara de rua não ter me devolvido
100 pesos somente seria solucionado com um advogado. O absurdo não
parou por aí, escutei dois policiais conversando dizendo que tinham
mais o que fazer, que sou um exagerado por chamar a polícia por
causa disso e além do mais, o real tá valendo cinco vezes mais que
o peso argentino. A questão pateticamente foi resolvida com um trato
com o cavalheiro me prometendo que o troco estaria na mão na próxima
semana, no mesmo dia, as 10hrs da manhã. A-HAM, óbvio que eu não
fui. Tô lá pra marcar compromisso com bandido?! Sou muito novo pra
acordar com a boca cheia de formiga por ser toupeira. Enfim, a lição
do dia é que não se pode contar com a polícia argentina em
qualquer situação. Para quem for a Buenos Aires por favor não se
deixem levar pelas ladainhas deste fulano:
![]() |
| Não dá pra ver muuuito bem, mas é o careca que está sentado. Fica na Av. Santa Fé, próximo a plaza Itália |
Conheci muitos
brasileiros aqui também e juntos fizemos uma festa com os brothers
da Califórnia. Abusei dos conhecimentos de barman e fiz caipirinhas
diversas! Morango, limão, kiwi, além de combinações de frutas
como kiwi e morango e limão e kiwi. Fiquem tranquilos amigos
brasileiros, os californianos aprovaram as caipirinhas (ponto pro
Brasil)!
![]() |
| Noite da caipirinha com brasileiros, americanos, argentinos e venezuelanos |
O transporte de Buenos
Aires é o melhor que conheci até agora. Há trens, ônibus, vans,
metrôs e tudo é muito barato, chegando a ser tarifas irrisórias.
Você paga proporcional até onde vai, mas o valor não passa de 4,50
pesos (com exceção as vans)! Já imaginou uma cidade onde o
transporte funciona perfeitamente, os motoristas podem escutar rádio
e a passagem não passa de 1 real? Então...
Segundo informações de
amigos que vivem na cidade, há muitos ônibus e a passagem é barata
porque cada linha é de um dono diferente. Como são muitas linhas,
há muitos donos e creio que isso facilite a administração para que
funcionem com abundância. Os ônibus sim são 24hrs e não é
necessário esperar mais de 20 minutos na madrugada. Se tem algo que
me chamou muita atenção, foi esse sistema de transporte.
Mas nem tudo é rosas,
graças a falta de CDC (Código de Defesa do Consumidor) me ferrei
algumas vezes na mão de algumas empresas.
Bem, depois de ter
bebido depois de três anos sem beber nada (vomitado logo em seguida
e ter concluído que não rola beber mais mesmo), andado de
bicicleta, tocado no metrô, conversado com hippies, ser roubado, ter
sido barman de festa para brazukas, ter chorado de emoção, ter sido
zuado pela polícia, brincado de Conan e diversas outras aventuras,
dei sequência a trip.
![]() |
| Os argentinos oprimem o botão |
Estava pesquisando
passagens para ir até o Uruguai porque acredita ser mais barato ir
de ônibus, tendo uma viagem mais extensa e cansativa, porém mais
econômica (depois descobri que ir de barco até a Colônia pela empresa BuqueBus é mais barato, mas tem que comprar o super econômico com pelo menos três dias de antecedência).
Se você está indo a Argentina, saiba que não se pode
confiar em tudo que está escrito nos sites das empresas. Como disse,
não há código de defesa do consumidor, o que dá margem para que
as empresas façam como queiram se ausentando de qualquer culpa que
possam ter. Tentei efetuar a compra no site da empresa um milhão de
vezes e não consegui. Não havia número de telefone, não havia
campo de contato, nada, somente o endereço. Estava a uns 8km do
lugar e como estava de bike resolvi ir até lá para comprar
pessoalmente. Cheguei a um estacionamento para deixar a bike, peguei
o ticket com o carinha do caixa e fui ao banheiro. Um senhor entrou
logo em seguida e a porta se fechou. Acontece que a porta não queria
abrir mais e o amigo do caixa estava um pouco distante de onde
estávamos.
Legal, preso num
estacionamento com um senhor de 70 anos em outro país, oh! Jóia! O
detalhe é que supostamente o horário de atendimento do lugar onde
eu iria era até as 18hrs e era 17:20. O senhor batia na porta e
gritava um monte, estava reclamando que tinha que ir a um lugar até
as 18hrs também. Um tempo depois o rapaz chegou na porta e ele e o
velho tentavam abrir a porta de tudo quanto é jeito, mas aquela
porcaria não abria. Pedi ao senhor que deixasse eu tentar e
vandalizei a porra toda. Quebrei o trinco e saí hahahahahahaha o
senhor me agradeceu e o carinha do estaciona falou que só abriria
assim mesmo, aí saí de lá me achando o Conan.
Cheguei as 17:55 e toquei
a campainha, falei com a minha moça sobre a compra da passagem e...
tá dáááá, aquela era uma empresa terceirizada que fazia dois
anos que não vendia mais passagem pro Uruguai, mas que esqueceram de
tirar do site. Porra, dois anos?! Enfim, andei 16km de bike, mas não
foi a toa, afinal brinquei de Conan e ainda curti uns taxistas me
chamando de “PELOTUDO” no trânsito da cidade portenha, nada a é
atoa...
A série de acasos na
minha vida tem gameshark, é infinita, porque a zuera não acabou aí.
Descobri (com muito custo – e não pela internet) onde comprava a
passagem pro Uruguai e nessa história sim pensei que ia ficar com
hemorroida de tão puto que fiquei hahahahahahahahahahaha
Analisem a situação
abaixo e procurem a lógica (e me avisem onde encontraram se é que vão achar):
Fui ao guichê comprar
minha passagem e o homem disse que eu precisava passar no balcão de
migrações pra “regularizar minha situação no país” porque na
real eu tinha perdido a porcaria do papel que dão quando chegamos na
Argentina. Fui nas migrações e eles disseram que eu precisava
comprar a passagem primeiro. Que
saco, né? Fui lá, falei o que haviam me dito e boa, venderam a
passagem. Voltei no balcão de migrações, carimbaram e boa, Uruguai
aí vou … not yet.
De
noite voltei pro terminal pra pegar o busão rumo Uruguai e aí fui
barrado. A mulher do balcão de migrações havia trocado a data da
minha chegada de 12/10/2014 para 12/01/2014 o que significaria que eu
estaria ilegal no país com mais de três meses no país. Com isso
minha entrada no Uruguai seria barrada e eu ficaria com cara de merda
na fronteira. O problema é que o balcão de migrações só
funcionava até 20hrs e era 22hrs. Quebrei o pau infinitamente e
depois de ter quebrado uma maçaneta podre de um banheiro tosco, tava
me sentindo o Hulk pronto pra dar porrada nessa galera que sacaneia a
viagem dos brothers. Enfim, de nada adiantou, mandaram me a merda e
pediram pra voltar no dia seguinte para resolver o problema. Cagaram
para o que eu disse sobre estar em outro país com compromissos
marcados que poderiam comprometer dinheiro e blablablabla, fui bem
dramático, mas não podiam fazer nada mesmo (ou eu atuei mal). Inventei até uma história que ia perder uma grana que iam me pagar pra tocar em um bar e que vivo disso e mesmo assim não deu boa! HAHAHAHAHA
Bem,
no dia seguinte cheguei no guichê e disse que precisava comprar a
passagem para o Uruguai e depois pegar o fucking carimbo no balcão
de migrações. Eles disseram que eu precisava ir lá no tal balcão
para pegar um documento e eu disse ao cara, de uma maneira pouco
educada, que iria gravar a mulher falando que precisaria da passagem
para depois ter o carimbo e expliquei toda a ladainha do dia anterior. Voltei ao balcão from hell e um rapaz educado me deu um
documento e voltei para o guichê com cara de merda, porque o rapaz
me disse que a senhora que estava no dia anterior havia cometido um
erro.
Bem,
com cara de merda ou não, eu estava indo feliz da vida pra Punta del
Este/Uy.
Antes
de ir é claro que minha vida polêmica preparou mais uma! Antes de
sair da Argentina, comi pizza de 5 pesos com o Marco e peguei o táxi
(sim, uma pizza inteira com suas 8 fatias por 40 pesos, 5 por fatia).
Ao entrar no carro, o taxista sacou um cigarro e perguntou se eu
fumava, disse a ele que não fumava esse, somente o cigarrinho verde,
mas que não me incomodava se ele quisesse fumar. Quando disse isso,
ele me perguntou se eu tinha o dito cigarrinho verde e eu disse que
sim. Então ele bombasticamente propôs para fumarmos juntos!
Perguntei a ele se teria problema fumar no táxi e ele disse que não
dava nada. Perguntou se precisava armar o cigarrinho e respondi com
um cachimbo na mão. Então como em uma cena daqueles filmes
americanos de maconheiro tipo Cheech e Chong, eu e o taxista fomos em
direção ao terminal fumando maconha no cachimbo. Hilário era ver
ele falando com a fumaça presa: entonces es la primera vez que
fumas com un taxista peruano?
Cena que a gente conta pra todo mundo, né? Não é todo dia que
acontece uma dessas. O figura
me deu um desconto de 10 pesos pela brotheragem do fumo e assim segui
para o Uruguai.
Continua
no próximo capítulo...
O que você deve saber antes de entrar em Buenos Aires - parte 1
Dinheiro
Leve uma quantia em
dólares para comprar pesos argentinos no câmbio paralelo porque as
cotações são ótimas. Quem tem dólar na Argentina tem muita
grana! Se você é pobre
mão de vaca igual eu e não quer pagar táxi, saiba que os ônibus
só aceitam moedas. Eu comprei 100 pesos argentinos no Brasil pra
poder me virar um pouco em Buenos Aires pensando que compraria
qualquer coisa e pegaria o troco em moedas para pagar o ônibus e
quase me ferrei. Muitos estabelecimentos no aeroporto não trocam 100
pesos (quanta complicação né? Hahaha). Sorte que consegui trocar
numa farmácia (onde estava escrito que não havia câmbio para 100
pesos).
Comprar pesos em casas
de câmbio é coisa de gente do bem, gente bacana e gente que quer
pegar menos dinheiro na troca, portanto se você se importa somente
em ter mais grana (como eu), troque seus pesos em algum câmbio
paralelo. Garçons são ótimos para fazer o câmbio paralelo porque
no caso de alguma nota falsa, você sabe onde encontrá-lo.
Como tive uns problemas
com minha conta antes de sair do Brasil,
não pude levar mais dólares, mas aconselho a todos a levarem
dólares! Existem pessoas que fazem câmbio paralelo que aceitam
transferências bancárias para contas do Brasil, então não é
necessário levar muito dinheiro em espécie também.
Transporte público
Nunca
vi um transporte público tão robusto quanto o da cidade portenha.
Os ônibus são 24hrs e existem muitos coletivos da mesma linha mesmo
na madrugada. O preço chega a ser um absurdo de tão barato. As
tarifas vão de ARG$ 1,20 a ARG$4,40 e assim que chegar é
indispensável comprar um cartão de SUBE, que é o que você vai
usar para todos os meios de transporte público. Interessante que
este cartão pode ficar negativo até -10. Há também trens para
cidades próximas como La Plata com preços muito acessíveis.
Argentina é barato? Vou gastar muito?
Depende
muito do seu perfil, mas se você é super master econômico como eu,
vai gastar pouco. Se não pagar hostel e ficar em casa de pessoas de couch surfing, vai gastar ainda menos. Alguns valores interessantes:
Pizza
mais barata que encontrei (fica em Recoleta): 5 pesos a fatia (pizza
básica, mas gostosa)
Suco
del Valle de maçã 1,5l: 12 pesos
Cinema
do governo (que passa os mesmos filmes que no cinema): 6 a 8 pesos.
1
café + 3 medias lunas no McDonalds :17 pesos
Passagem
de trem de Buenos Aires – La Plata: 6 pesos
Almoço
indiano em um lugar top com entrada, prato principal, sobremesa e
suco: 80 pesos
Importante
ressaltar que na Argentina é costume deixar gorjeta, 10% de
preferência! Diferente do Brasil onde a gorjeta vai para o bolso do
patrão, essa gorjeta é dividida entre os funcionários, então acho
bacana contribuir.
Mochila
Muito se fala do tamanho da mochila, o que levar para uma grande viagem e tudo mais. Sou exagerado e levei uma porrada de coisas das quais não me arrependo. Gosto de me vestir bem e pago o preço do cansaço para isso.
Conheci gente que viaja com o mesmo tanto que eu e reclama, com gente que viaja com mais e reclama, com gente que viaja com o mesmo tanto também e é tranquilo. Conheci gente até que viaja só com duas camisas, uma calça, barraca e saco e dormir e boa. Não ouso colocar aqui o que estou levando porque vão me zuar HAHAHAHAHAHA mas a melhor pessoa que vai te dizer o que é necessário é você mesmo.
No começo pensei que tinha sido vacilo ter levado o notebook, hoje dou graças por ter ele comigo.






