quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Ortografia impecável = Discurso perfeito?


De uns tempos para cá tenho percebido a implicação de muitos paladinos da ortografia em relação aos com escrita mais despojada. O que indigna é que essa galera acredita que escrever “da maneira correta” significa ser mais inteligente e pior, que tem o direito de reprender quem não está escrevendo tudo nos conformes. Pobres egos, desprezam o próximo sem nem se atentar ao que está sendo comunicado pelo interlocutor. Não são poucas as mensagens de desafeto nas redes sociais, tratando como lixo quem foge da norma culta, por não ter conhecimento ou por preferir uma maneira mais despojada na hora de se expressar.Existe uma beleza em tudo isso e, quando percebida, passa a ser admirada. Em tempos de globalização a comunicação tem sido cada vez menos elitizada, o que significa que não é necessário pagar para subir ao palco, portanto fala quem quer e escuta quem estiver próximo. Nada melhor do que falar a realidade de uma sociedade quando se está dentro dela.Um dos exemplos que melhor pode contextualizar essa beleza, é a própria fanpage do diário de classe, da estudante Isadora. É claro que neste caso, a interlocutora é nova, não tem nem quinze anos, mas seu palco, por assim dizer, é extremamente aclamado, com vírgulas e acentos faltantes ou não. O que tem de gente que comenta absurdos nesta fanpage não é brincadeira. São dezenas de paladinos da ortografia desprezando um trabalho tão bonito que chego a ter vergonha alheia. Tamanha é a falta de bom senso que estes vendam seus olhos a ponto de não captar o substancial dos textos da Isadora. As pessoas estão tendo cada vez mais voz e vetar estes gritos de expressão é um erro. A quantidade de escritores que a globalização permitiu surgir é imensa! Hoje qualquer pessoa pode escrever o que bem entender nas redes sociais, criar um blog e qualquer que seja o conteúdo na rede. É uma das maravilhas que a internet permite.

          Diferente da TV, rádio ou outros veículos de comunicação tradicionais, a internet possibilita o usuário a interagir, clicar, ESCREVER. Isso retrata uma evolução comparado a épocas passadas. As pessoas estão errando bastante na ortografia? Estão sim, mas ao menos estão arriscando e, consequentemente, aos poucos criando uma nova onda de formadores de opinião, o que com certeza é mais importante do que todo mundo escrevendo “certinho”. Claro que a ortografia é importante, óbvio, para comunicar é bom ter a certeza de que o que está escrito vai conseguir transmitir a sua mensagem.

          Do que adianta um texto cheio de palavras e expressões complexas, se nem todos entenderão? “A simplicidade é o último grau da sofisticação” disse Da Vinci e não há como discordar. A beleza não está em metralhar palavras de alta complexidade, como em muitos textos de política que estão por aí, repletos de prolixidade, sendo praticamente um contrassenso ao propósito inicial, que é comunicar a informação. Tenho amigos com a ortografia maravilhosa, porém com textos repletos de preconceito, alienados a sistemas de governos fantasiosos, discursos repletos de lições vazias e que nem eles próprios compreendem. Dou muito mais valor aos gritos de expressão crus e brilhantes de muitos que estão pela rede, reivindicando das maneiras mais diretas possíveis seus direitos, retratando uma cultura que não está embasada em falsos moralismos.

          Portanto, você, amigão que adora discriminar os outros pela ausência de vírgulas, acentos, falta ou inclusão de letras em determinadas palavras, comece a prestar atenção além delas, pois seu preconceito pode significar fechar os olhos para ideias que te interessem, te desenvolvam e te instiguem. Comunique, compreenda e compartilhe boas ideias, vale o esforço.

domingo, 27 de janeiro de 2013

O autodestrutivo ser humano


Hoje presenciei uma das cenas mais caóticas da minha vida, com tantas cenas inescrupulosas que meu cérebro não conseguia absorver por inteiro, um caos definitivo. Não presenciei as cenas horríveis no Pré-carnaval do Largo da Ordem de 2012, mas acompanhei as notícias nos jornais e pelos posts nas redes sociais. Não tinha ideia do que é uma guerra civil até estar nela. Bom, vou descrever desde o momento em que cheguei neste pré-carnaval de 2013.

Ao chegar no Largo da Ordem, subindo pela rua da igreja, vi o China de esquina, que vende tubão, mais cheio do que nunca. Fontana e tubão na mão da galera, muita gente louca, cagando para a passagem dos carros, pelo respeito à mulher. Ao me aproximar do Cavalo Babão (local central do Largo, para quem não conhece), vi três corpos estirados. Dois virados de bruços e um virado para cima, cheio de sangue no nariz. Perto desses dois tinha um grupo de adolescentes vomitando aquele Fontana vermelho enquanto outro grupo distinto filmava com celulares, rindo da desgraça alheia.

Até encontrar meus amigos, vi duas brigas, covardia para tudo quanto é canto. A quantidade de destruição era tamanha que chegava a parecer normal. Gente andando por um lado da calçada, perto de uma briga, uns adolescentes vomitando, garrafas sendo quebradas, comércio de crack. Era muita gente e muito fervo. Quem disser que era meia dúzia de gente que estava avacalhando o evento estará mentindo. A porcentagem de gente que estava participando da diversão incoerente era enorme. Infelizmente uma das festas mais bonitas da cidade está atraindo um público muito triste, sádico.

Assim que encontrei meus amigos, todos já comentaram a respeito do caos evidente, que tinham visto gente apanhando, da mesma maneira que eu vi: gente sangrando, gente sofrendo. Não sou acostumado a ver esse tipo de coisa, sou do tipo que não gosta de ver UFC porque não gosto de ver briga, imagina só quando acontece dessa maneira. Certa hora nós fomos ao banheiro e no caminho vimos uma multidão correndo e ao fundo se ouvia o som das bombas de efeito moral e dos tiros de borracha. Comecei a correr e logo me perdi dos meus amigos e ao longo do trajeto até o ponto de ônibus, vi caras enfrentando a polícia, gritando “Pega eu!”.

Foi a primeira vez que vi um público tão positivamente envolvido com o caos. Muita gente rindo e se divertindo, como se tivesse acontecendo um espetáculo. Cheguei a pensar que era o fim do mundo, ainda mais depois de ter acontecido a tragédia em Santa Maria. Uma amiga postou no Facebook que já passou a hora do mundo acabar e tenho que concordar com ela. É tanta gente sem respeito que chegar a beirar o surrealismo. O código de honra virou artigo de luxo.

Ainda não sei de tudo que aconteceu para desencadear naquele inferno, mas digo que tinha muita gente que merecia. Imagina só uma fileira de carros tentando passar e um monte de criaturas balançando os veículos, a custa de nada, só pelo prazer de “apavorar”. Gente vandalizando carros sem qualquer ponta de consciência. Por causa de muitas pessoas aconteceu o que aconteceu. O Brasil precisa muito de educação, urgente! É preciso educar para que esse tipo de coisa mude, pois do contrário este apocalipse zumbi destruirá progressivamente toda a sociedade. A polícia está errada? E quem estava lá? A sujeira é uma só! Os eventos públicos estão virando um campo de batalha e o ser humano só está provando que é doente por destruição.