domingo, 12 de agosto de 2012

The dark side of jeitinho brasileiro


Logo quando a expressão “jeitinho brasileiro” é ouvida, surge a ligação para a famosa ginga brasileira, a capacidade de se esquivar dos problemas e dificuldades de maneiras não convencionais e, em geral, nada “politicamente corretas”. Até onde isso é bom todos sabem, mas quando é analisado o dark side deste traço da personalidade nos nativos do país, nota-se quanta sujeira também é gerida nestas terras por conta desta habilidade.

O comum é pensar no lado bom, a ideia de que o brasileiro se adapta facilmente as mais diversas situações em qualquer lugar que seja para conseguir o que bem entender, este é o jeitinho brasileiro. Se utilizado de maneira correta, não há mortos nem feridos, pois nada como ir para qualquer país, sem muita grana para sustento e se virar, dar um jeitinho. Estourar a tira da havaiana e dar um jeitinho (deselegante, porém funcional), amarrar o kichute na canela, falar portunhol no Paraguai e esfregar o chão dos norte americanos para fazer um mochilão, são boas práticas da arte-manha. Este tipo de visão é o mais atribuído ao termo, mas qual é o seu lado podre?



Pensando de maneira clara, observa-se um diferencial nos representantes do poder público do país do futebol. O jeitinho brasileiro predomina neste meio, expressado pelo pior problema existe no país, a corrupção. Este, infelizmente, é o causador de um dos maiores, senão maior, problemas aqui existentes, a distribuição de renda incoerente. Esta nação que faz parte do grandioso BRIC, tendo potencial econômico deveras promissor e uma exibição mundo afora que parece colocar o Brasil como um dos melhores lugares para se investir, para se morar e tentando passar a imagem de que aqui tudo está caminhando às mil maravilhas. São good news para quem anda de iate e gasta 5 ou até 10 dígitos em um relógio Rolex, mas para a maior parte do público brasileiro, é apenas uma piada de mal gosto.

Como explicar este problema? Uma hipótese é que este seja um dos resultados da mistura existente aqui no Brasil, o país da miscigenação. O problema do jeitinho brasileiro não está ligado à cultura alguma, ele pode estar ligado à mistura dela. Dentro do seu espaço, cada etnia preza por seus costumes, honra tradições e lapida uma personalidade com a cara do povo, mas e quando a cara do povo é abstrata? Perdem-se os aprendizados tradicionais japoneses, africanos, alemães, franceses, etc. No lugar disso, é desenvolvida a multi-habilidade, a capacidade de se adaptar a diferentes situações por conviver com diversas culturas diferentes e, no final das contas, os grandes ensinamentos são destoados e transformados em perícias de sobrevivência porque já não importa mais manter a linha da tradição. Obviamente, não é uma regra geral, pois existem diversas famílias tradicionalistas que mantém seus costumes.

A arte do migué no mundo político brasileiro, nada mais é do que se aproveitar da massa ignorante (ignorante = sem informação) para realizar seus anseios. Manipular a massa é mais fácil, pois não importante quem é o candidato se paga um almoço beneficente. Não importa se cometeu uma série de absurdos em algum governo, porque a memória é curta e um show de bandas com pastel e pinga pode ajudar a esquecer o que houve.

Isso lá é maneira de comover uma nação? É a melhor maneira de mostrar que é merecedor do controle do bairro, cidade, estado, região, país? Utilizando-se de uma lógica ética, não. Isso é “dar um jeitinho”.

          O público brasileiro ganhou até uma identidade animada por conta dessa personalidade, o famigerado Zé Carioca. Um “presente” da Walt Disney para o Brasil. Segundo o desenhista, ele é a cara do Brasil, o jeitinho brasileiro em traços e cores.

Definição do Zé Carioca: divertido, festeiro, ligeiro, vagabundo e preguiçoso.

Ele sempre dá um jeito de conseguir tudo com sua ginga e encanta a todos. Talvez seja um exagero dizer que todo brasileiro é assim, mas, por bem ou por mal, certamente existe um pouco de Zé Carioca em cada um.

A maneira como esta habilidade é utilizada só depende da intenção. Mas vá com calma, Jedi, partir para o dark side pode lhe custar caro.

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