quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Renatinho Scat boy – Um vulcão em erupção


Esta é a primeira de uma série de crônicas sobre um garoto que vive em situações inusitadas por problemas estomacais. Caso você seja uma mocinha que acha tudo um nojinho, esta não é a leitura recomendada para o seu dia.

Renatinho Scat boy – Um vulcão em erupção




Renatinho havia acabado de chegar a sua casa e embora não tivesse habilidade alguma, estava jogando futebol com seus amigos no campinho. Tinha o desejo de ser um vencedor, apesar das desvantagens do seu corpo roliço. Já era hora da janta e a mãe anunciou:

- Renatinho, venha comer a dobradinha que a mamãe fez, lindinho!

Dobradinha nunca fora o prato favorito do menino, ainda mais porque lhe ocasionava fortes problemas com gases, o que afastava ainda mais o pobre gordinho das meninas da escola. Já não bastava ter o peso avantajado, ainda tinha um estômago um tanto quanto perigoso. Renatinho se tornava uma bomba quando ingeria certas substâncias e o prato da noite seria uma forte munição no dia seguinte. “Não quero fazer educação física amanhã”, pensou, com medo de ser constrangido frente aos colegas devido aos seus rugidos flatulentos.

           Todos iniciaram a janta e seu pai logo começou com as alfinetadas:

- Olha só como esse moleque come! Não é a toa que está virado num almôndega com patas. Caralho, Renatinho, vai com calma seu gordo cagalhão!

- Não fala assim com o menino, Pedro! Tadinho!

- Desse jeito não vai comer ninguém.

- Olha a idade do menino, Pedro, para com isso já!

O jantar continuava com a maior naturalidade, afinal de contas, Renatinho já estava acostumado com a falta de sensibilidade habitual do pai que trabalhava como pedreiro e tinha uma personalidade um tanto quanto grotesca. O gordinho não ouvia mais nada, a dobradinha estava deliciosa, muito melhor do que nos outros dias, fazendo-o repetir três vezes.

- Olha só, Matilde, vai acabar com a comida da casa toda qualquer dia! Ainda consegue ver seu pinto, gordão?!

Renatinho não respondeu e foi para o seu quarto enquanto seu pai ria alto e sua mãe tentava o impedir inutilmente, falando “deixa o menino comer em paz, papai”. No quarto, começou a sentir umas pontadas violentas quando já estava deitado na cama. “Nossa senhora, desta vez está mais forte que nunca!”, estava tomado por pensamentos desesperados a respeito do que poderia acontecer.

A comida finalmente pareceu se acomodar em seu estômago e finalmente conseguiu dormir. Pela manhã, acordou com sua mãe o despertando:

- Acorda logo meu amado, você está atrasadinho e precisa correr para pegar a carona com a tia!

A carona com a tia na verdade era uma maneira carinhosa de a mãe chamar a condução escolar da Dona Célia, uma senhora gorda como um balão, rosto rosado, sempre sorridente e que tinha pelos medonhos no sovaco. Logo quando Renatinho levantou, começou a se sentir pressionado. Sentia um forte solavanco no estômago, era uma dor infernal e foi com dificuldade para o chuveiro, precisava ser rápido devido ao atraso na hora de acordar. No banho, massageava incessantemente sua barriga enorme com esperança de que a dor passasse.

- Mamãe, minha barriga ta doendo! – gritou do chuveiro.

- Saindo do banho você já come alguma coisa e a dor já passa! Deve ser fome, meu amor!

Não teve coragem de contrariar a mãe, pois apesar da dor, estava mesmo com fome. Fazia parte do ritual antes de sair para a escola, comer um lanche bem reforçado para manter seus instintos até a hora do recreio. Vestiu seu uniforme e foi comer o que a mãe tinha acabado de preparar. Apesar do calor de trinta graus, Renatinho sempre usava um enorme moletom porque tinha muita vergonha do seu problema com peso. A calça estava ficando pequena, deixando o cofrinho à mostra, fazendo com que o menino tivesse que puxar a camisa para baixo e a calça para cima constantemente, quase que como um cacoete nervoso.

A espera de Renatinho estava um enorme copo de 500ml de Toddy com uma estampa do Pateta, era seu copo favorito, e também um misto quente com o dobro de queijo e presunto do que normalmente se coloca. Dona Matilde não se importava com o tamanho do filho, ela apenas queria vê-lo sorrir, não importando os problemas com peso. Renatinho praticamente engoliu o lanche e saiu correndo para pegar a condução.

O caminho era longo, sete quadras até chegar ao ponto de encontro da condução, o módulo policial do bairro, onde encontraria Pâmela, a garota mais bela e gostosa de sua sala. Apesar de ainda estar na oitava série, Pâmela era de longe, muito bem desenvolvida. Tinha os seios grandes (tamanho 42), cabelos cacheados longos até a altura da cintura, olhos verdes claros e um belo rabo. Mesmo usando aparelho, tinha um sorriso encantador. Os únicos minutos que passava conversando a sós com uma garota eram enquanto esperava a condução junto a Pâmela, sendo o momento mais especial do dia.

Logo no início do percurso, Renatinho começou a sentir uma forte fisgada na traseira. O gordinho apertou o passo e começou a se preocupar. Dentro do seu estômago havia sido travada uma guerra entre dobradinha, arroz, feijão, pimenta, Toddy, presunto, queijo, pão e maionese.

Os cavaleiros do apocalipse estomacal haviam anunciado o prelúdio.

O sol forte aquecia o corpo de Renatinho, fazendo-o suar dentro de seu moletom. As pontadas aumentavam e a vontade de cagar era incessante, precisava descarregar aquela mistura logo. “Ai meu Deus! Preciso cagar urgente!”, o desespero tomara conta do pobre garoto que corria pateticamente ao longo das sete quadras. Estava quase na metade do caminho ainda quando pensou “Posso agüentar até a escola!”.

         O grande problema é que tinha pouco tempo para chegar até o módulo policial, pouco menos de cinco minutos até a condução deixá-lo para trás e ainda faltavam três quadras, “Dá tempo!”. Teria de manter o ritmo acelerado, não tinha escolha. Pensou em Goku. Se pudesse, correria igual a ele e ainda chegaria com tempo de sobra para papear com a Pâmela.

              Pensou em Pâmela, pensou em Goku e resolveu tomar uma atitude paliativa. Tentaria um peidinho para aliviar e ganhar tempo para concluir o assunto somente no banheiro da escola. Já conseguia avistar o módulo policial, só mais duas quadras. No calor da corrida, próximo do destino, avistou ninguém menos que ela... Pâmela. A emoção veio em forma de alívio, choque, desespero e tristeza, exatamente nesta ordem.
Renatinho errou o calculo e acabara soltando um peido carregado com uma munição de primeira.

A bosta grossa vinha em uma quantidade absurda. Nunca tinha sentido uma sensação como aquela, estava cagando tanto que subia da sua cueca para sua camisa, podia sentir o calor marrom subindo por suas costas, atingindo um palmo para cima do seu cofrinho. Era um verdadeiro chafariz, um vulcão de merda em erupção. “Como!?”, lembrou de Shiryu revertendo o fluxo da cachoeira, fazendo-a ir para cima, era a própria cólera do cagão.



Conforme a natureza foi terminando seu fluxo, Renatinho olhava estático para o módulo. A poucos metros da bela garota, derrotado, olhava através do cenário à frente, só conseguia enxergar um mundo pastoso e marrom. O cheiro de cocô era fortíssimo, uma verdadeira bicuda no nariz de qualquer um que chegasse a um metro de distância. Renatinho, havia se transformado em uma verdadeira arma química.

Suas calças pesavam, a merda escorria por entre as pernas e sentia como se seu peso tivesse dobrado. Olhou para a Pâmela que acenava:

- Oi Renatinho!

Não respondeu, passou correndo por ela, entrou no módulo, olhou para um policial baixinho e bigodudo com um sanduíche na mão e disse, suando:

- PRECISO USAR O BANHEIRO!

O baixinho torceu o nariz, sentia o cheiro forte invadir o local todo, como se tivesse sendo inundado por um gás mortal. Colocou a mão com o sanduíche no nariz, completamente atordoado, apontou para uma porta e disse:

- Meu caralho, que fedor! É ali!

Entrou rapidamente, escutando os palavrões do policial e viu a privada. Era hora de checar o estrago e tomar alguma atitude. Logo quando abaixou a cueca, teve certeza de que não iria para a escola, iria mesmo para casa. “Minha mãe vai me matar!”, pensou e começou a chorar enquanto procurava o papel higiênico.

Pensando que não poderia ficar pior, olhou para o papel higiênico e tinha apenas meia folha. Desesperado olhou para a pia de lavar as mãos e pensou em utilizar a toalha para se limpar, mas logo desistiu desta ideia e já teve outra. Foi em direção a pia, levantou a bunda gorda para perto dela, abriu a torneira e começou a banhar a traseira. O procedimento era trabalhoso, porém muito efetivo e pela primeira vez na manhã, esboçou um sorriso. A sensação era muito boa, mas o pior logo veio.

A pia não agüentou a pressão de Renatinho com todos os seus cento e quatro quilos e quebrou.
Atingiu o chão com a cabeça, levantando um galo enorme em sua testa. O desespero novamente tomou conta, Renatinho levantou suas calças, abriu a porta e saiu correndo antes mesmo que o baixinho pudesse lhe passar qualquer sermão por causa do estrago causado. Assim que saiu do módulo, deu de cara com a condução escolar e todos os seus colegas na janela. O tempo parou novamente, todos analisavam o estado patético de Renatinho. O cheiro ainda pairava forte no ar, Renatinho era a evidência de um estouro de bosta. Um menino da quinta-série com cabelo tigela mascando chiclete apontou e gritou:

- TEM MERDA NO UNIFORME DELE! ATÉ NO TÊNIS!

Uma bela tragédia, agora todos riam incessantemente enquanto algumas garotas falavam um “Que nojo!” ou “Vou vomitar se ele entrar aqui” seguidos de muitos “Eu também”. Correu como nunca em direção a sua casa, chorando muito e desejando nunca mais ver ninguém.

             Chegando em casa, Dona Matilde esbugalhou os olhos vendo seu filho cagado, suado,  machucado e chorando. Limitou-se a perguntar, em estado de choque:

- Minha nossa senhora, o que houve com você, meu filho?!

- Eu me caguei, fui lavar o bumbum na pia do módulo, caí, dei de cara no chão e saí correndo!

- Esqueceu de dizer que quebrou a pia enquanto lavava o cu porque acabaram de me ligar lá do módulo policial! Eu que não vou pagar aquela merda! – disse o pai, extremamente nervoso.

- Vá já para o chuveiro, filho!

                Tomou banho chorando e prometeu a si mesmo que nunca mais comeria dobradinha, aquele tinha sido o pior dia de sua vida e tudo por conta de um jantar. Assim que chegou no quarto, ligou o computador e pensou “Ao menos poderei jogar World of Warcraft a tarde toda!”. Como se tivesse explodindo uma porta, seu pai entrou no quarto com a cara extremamente vermelha de quem estava com muita raiva, mais ainda do que antes:

- GORDO DO CARALHO! JOGOU A CUECA CAGADA EM CIMA DAS ROUPAS DO CESTO! IDIOTA! BEM EM CIMA DA MINHA CAMISETA SOCIAL NOVA! VOU TE ARREBENTAR AGORA!

Eis que pequena felicidade de Renatinho sumiu e teve de passar a tarde toda lavando as roupas que sujou por conta da sua falta de atenção.

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